
UNESCO coloca cidade fenícia de Tiro na lista de património em perigo
A inscrição, pedida pelo Líbano, reflete os danos causados pelos bombardeamentos israelitas ao sítio arqueológico com 4.700 anos.
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) inscreveu na terça-feira a antiga cidade fenícia de Tiro, no sul do Líbano, na lista do Património Mundial em Perigo. A decisão, tomada durante a 48.ª sessão do Comité do Património Mundial em Busan, na Coreia do Sul, atendeu a um pedido formal do governo libanês e baseou-se nos danos diretos infligidos ao sítio arqueológico por sucessivos bombardeamentos israelitas, no contexto do conflito entre Israel e o movimento xiita Hezbollah.
Segundo a UNESCO, o bem “foi diretamente atingido e sofreu danos”, e o seu estado de conservação “suscita uma preocupação crescente, sobretudo perante a possibilidade de novos impactos”. A organização considera que “as condições ideais já não estão reunidas para assegurar a conservação e a proteção do valor universal excecional do bem”. O ministro da Cultura libanês, Ghassan Salamé, agradeceu a decisão e afirmou que a inscrição “concentrará as atenções da UNESCO e dos Estados-membros sobre um sítio de enorme importância na história de uma região que atravessa conflitos capazes de o danificar”. Salamé acusou ainda Israel de não respeitar a Convenção de Haia de 1954, que obriga à proteção de bens culturais em conflitos armados, nem o emblema do “Escudo Azul”, criado para assinalar esses locais.
Tiro, fundada há cerca de 4.700 anos e situada a cerca de 20 quilómetros da fronteira israelita, alberga dois sítios classificados desde 1984: um arco triunfal romano e um hipódromo do século II, além de uma necrópole. Um destes locais foi atingido diretamente por um ataque aéreo em junho, e as imediações sofreram danos repetidos desde o início das hostilidades, em outubro de 2023. A quase totalidade da população abandonou a cidade na sequência de ordens de evacuação emitidas pelo exército israelita. A inscrição na lista de perigo não acarreta sanções, mas sinaliza à comunidade internacional a urgência de medidas de proteção e pode facilitar a mobilização de assistência técnica e financeira.
O conflito entre Israel e o Hezbollah, que já causou mais de 3.600 mortos no Líbano, transformou o sul do país numa zona de operações militares. A preservação do património cultural em cenários de guerra é regulada pela Convenção de Haia, mas a sua aplicação depende da vontade das partes. Na perspetiva de Beirute, a decisão da UNESCO representa um instrumento de pressão diplomática para que Israel cesse os ataques a áreas de valor histórico. Enquanto o comité prossegue os trabalhos em Busan, a Itália anunciou que acolherá, a 4 de agosto, uma nova ronda de conversações entre Israel e o Líbano, com mediação dos Estados Unidos, num esforço para consolidar um cessar-fogo e a retirada das forças israelitas.
| Imprensa russa e CEI | −0.60 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa iraniana e afins | −0.90 | critical |
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.20 | neutral |
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.50 | critical |
Russia projects the UNESCO listing as evidence of Israel’s deliberate targeting of cultural heritage, framing the conflict as one-sided aggression.
By omitting any mention of Hezbollah’s role or the Lebanese government’s request, the narrative isolates Israeli responsibility and amplifies the victimhood of Lebanon.
Omitted is the fact that the Lebanese government formally requested the listing, as well as any reference to Hezbollah’s parallel military actions that also endanger the site.
Iran denounces the Zionist regime’s deliberate destruction of Lebanese heritage, using the UNESCO statement as a moral weapon to escalate condemnation.
By erasing Hezbollah from the narrative and describing the regime as inherently destructive, it creates a binary of victim versus aggressor that justifies its own anti-Israel stance.
Omits any mention of Hezbollah’s participation in the conflict, the Lebanese government’s request for the listing, and the fact that UNESCO’s concern is balanced and technical.
The Atlantic observer neutrally records the UNESCO decision, presenting the damage as a regrettable consequence of a distant conflict without taking sides.
By omitting the political context (Hezbollah, the Lebanese request) and using passive language, the narrative normalizes a one-sided description of events under the guise of objectivity.
Omits any reference to Hezbollah’s attacks, the Lebanese government’s proactive role, and the fact that the endangerment listing was requested by Lebanon itself.
The Arab Levantine and Maghreb world thanks UNESCO while condemning the Zionist aggression, positioning Lebanon as a victim that seeks international legitimacy.
By emphasizing the Lebanese government’s request and the gratitude towards UNESCO, it transforms a technical listing into a moral victory and a diplomatic tool against Israel.
Omits the fact that Hezbollah’s attacks also endanger the site and that the UNESCO decision is based on technical criteria, not political alignment.
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