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Tráfego em Ormuz dispara após acordo EUA-Irã, mas adiamento de diálogo mantém incerteza

A passagem de 25 navios comerciais num só dia, a maior desde meados de abril, ocorreu após o memorando de entendimento e o fim do bloqueio naval, mas o adiamento sine die das conversações na Suíça e as novas ações militares israelitas travam a normalização.

O Estreito de Ormuz registou a 18 de junho a maior movimentação diária de navios comerciais em dois meses, com 25 travessias verificadas, segundo dados da plataforma AXSMarine. O número representa mais de cinco vezes a média dos primeiros dez dias de junho e só foi superado, desde o início do conflito, pelo pico de 28 trânsitos a 18 de abril, quando o Irão reabriu brevemente a via. O repique surge na sequência da assinatura de um memorando de entendimento entre Washington e Teerão, a 17 de junho, e do levantamento, no dia seguinte, do bloqueio naval norte-americano aos portos iranianos, imposto a 13 de abril. Contudo, as conversações previstas para sexta-feira na Suíça, que deveriam lançar um processo de 60 dias para abordar o programa nuclear iraniano, foram adiadas sine die, o que, na perspetiva de observadores em Lisboa, introduz uma fragilidade imediata no frágil equilíbrio alcançado.

A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, citada por agências internacionais, divulgou novas regras para a travessia: exige pedidos de trânsito com 48 horas de antecedência, isenta os navios de taxas de segurança, proteção ambiental e seguros durante o período de negociação e impõe a coordenação prévia de rotas e horários devido à presença de minas e outros riscos. Apesar da reabertura parcial, a organização marítima BIMCO advertiu que os planos para a retoma do tráfego continuam pouco claros e que ainda não se considera seguro iniciar a saída do Golfo. O responsável de segurança da BIMCO, Jakob Larsen, afirmou esperar a criação de um organismo internacional de coordenação para facilitar os trânsitos, enquanto a Organização Marítima Internacional (OMI) trabalha num plano de evacuação segura. A AXSMarine reportou ainda que o pico de travessias coincidiu com o maior episódio de perturbação de sinais AIS desde o início do conflito, afetando mais de 200 navios, o que sugere que o número real de passagens pode ser superior.

Para as economias lusófonas, a evolução em Ormuz tem leituras diferenciadas. O Brasil, importador e exportador de petróleo, observa o alívio imediato nas cotações internacionais — a analista Ipek Ozkardeskaya, do grupo bancário Swissquote, notou uma descida rápida dos preços após o anúncio do acordo —, mas diplomatas em Brasília acompanham com prudência a volatilidade, dado o peso dos combustíveis na inflação doméstica. Portugal, com uma frota mercante e interesses portuários expostos à segurança das rotas marítimas, monitoriza os esforços da OMI para retirar os mais de 500 navios e 11 mil marítimos ainda retidos no Golfo. Angola e Moçambique, produtores de hidrocarbonetos, avaliam o impacto da perturbação prolongada sobre os contratos de longo prazo, num contexto em que, antes da guerra, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito mundiais transitava pelo estreito.

O conflito foi desencadeado a 28 de fevereiro por ataques dos EUA e de Israel contra o Irão, levando Teerão a fechar o estreito e a atacar dezenas de navios mercantes. Desde então, a média diária de travessias caiu para 7,6, contra os cerca de 120 registados em tempos de paz, segundo o Lloyd’s List. O acordo-quadro da semana passada previa também o fim dos combates no Líbano, mas as forças israelitas anunciaram novos ataques na sexta-feira, o que, na avaliação de analistas em Genebra, coloca em causa a capacidade de Washington de concluir a guerra sem a participação de Telavive. O dossiê permanece em aberto: o próximo passo factual será a eventual constituição do mecanismo internacional de coordenação de trânsitos, enquanto as conversações sobre o nuclear iraniano aguardam nova data.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Em 18 de junho, 25 navios comerciais cruzaram o Estreito de Ormuz, o número mais alto desde meados de abril. Dados da AXSMarine indicaram um volume cinco vezes maior que a média diária do início de junho, após um acordo que permitiu a reabertura da passagem.

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O pico de 25 navios em 18 de junho seguiu-se a um memorando de entendimento entre EUA e Irã e ao levantamento do bloqueio americano aos portos iranianos, imposto em resposta ao fechamento do estreito por Teerã. Contudo, as conversações planejadas na Suíça para iniciar um processo de 60 dias não ocorreram, lançando dúvidas sobre o acordo.

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sexta-feira, 19 de junho de 2026

Tráfego em Ormuz dispara após acordo EUA-Irã, mas adiamento de diálogo mantém incerteza

A passagem de 25 navios comerciais num só dia, a maior desde meados de abril, ocorreu após o memorando de entendimento e o fim do bloqueio naval, mas o adiamento sine die das conversações na Suíça e as novas ações militares israelitas travam a normalização.

O Estreito de Ormuz registou a 18 de junho a maior movimentação diária de navios comerciais em dois meses, com 25 travessias verificadas, segundo dados da plataforma AXSMarine. O número representa mais de cinco vezes a média dos primeiros dez dias de junho e só foi superado, desde o início do conflito, pelo pico de 28 trânsitos a 18 de abril, quando o Irão reabriu brevemente a via. O repique surge na sequência da assinatura de um memorando de entendimento entre Washington e Teerão, a 17 de junho, e do levantamento, no dia seguinte, do bloqueio naval norte-americano aos portos iranianos, imposto a 13 de abril. Contudo, as conversações previstas para sexta-feira na Suíça, que deveriam lançar um processo de 60 dias para abordar o programa nuclear iraniano, foram adiadas sine die, o que, na perspetiva de observadores em Lisboa, introduz uma fragilidade imediata no frágil equilíbrio alcançado.

A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, citada por agências internacionais, divulgou novas regras para a travessia: exige pedidos de trânsito com 48 horas de antecedência, isenta os navios de taxas de segurança, proteção ambiental e seguros durante o período de negociação e impõe a coordenação prévia de rotas e horários devido à presença de minas e outros riscos. Apesar da reabertura parcial, a organização marítima BIMCO advertiu que os planos para a retoma do tráfego continuam pouco claros e que ainda não se considera seguro iniciar a saída do Golfo. O responsável de segurança da BIMCO, Jakob Larsen, afirmou esperar a criação de um organismo internacional de coordenação para facilitar os trânsitos, enquanto a Organização Marítima Internacional (OMI) trabalha num plano de evacuação segura. A AXSMarine reportou ainda que o pico de travessias coincidiu com o maior episódio de perturbação de sinais AIS desde o início do conflito, afetando mais de 200 navios, o que sugere que o número real de passagens pode ser superior.

Para as economias lusófonas, a evolução em Ormuz tem leituras diferenciadas. O Brasil, importador e exportador de petróleo, observa o alívio imediato nas cotações internacionais — a analista Ipek Ozkardeskaya, do grupo bancário Swissquote, notou uma descida rápida dos preços após o anúncio do acordo —, mas diplomatas em Brasília acompanham com prudência a volatilidade, dado o peso dos combustíveis na inflação doméstica. Portugal, com uma frota mercante e interesses portuários expostos à segurança das rotas marítimas, monitoriza os esforços da OMI para retirar os mais de 500 navios e 11 mil marítimos ainda retidos no Golfo. Angola e Moçambique, produtores de hidrocarbonetos, avaliam o impacto da perturbação prolongada sobre os contratos de longo prazo, num contexto em que, antes da guerra, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito mundiais transitava pelo estreito.

O conflito foi desencadeado a 28 de fevereiro por ataques dos EUA e de Israel contra o Irão, levando Teerão a fechar o estreito e a atacar dezenas de navios mercantes. Desde então, a média diária de travessias caiu para 7,6, contra os cerca de 120 registados em tempos de paz, segundo o Lloyd’s List. O acordo-quadro da semana passada previa também o fim dos combates no Líbano, mas as forças israelitas anunciaram novos ataques na sexta-feira, o que, na avaliação de analistas em Genebra, coloca em causa a capacidade de Washington de concluir a guerra sem a participação de Telavive. O dossiê permanece em aberto: o próximo passo factual será a eventual constituição do mecanismo internacional de coordenação de trânsitos, enquanto as conversações sobre o nuclear iraniano aguardam nova data.

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