
Toy Story 5: a guerra dos brinquedos clássicos contra os ecrãs digitais
O quinto filme da saga da Pixar estreia com Jessie como protagonista e um debate atual sobre o impacto da tecnologia na infância, dividindo a crítica internacional.
Quase três décadas após o primeiro filme revolucionar a animação digital, Toy Story 5 chega aos cinemas com um conflito que espelha as ansiedades contemporâneas de pais e educadores: a disputa pela atenção das crianças entre os brinquedos físicos e os dispositivos eletrónicos. Na nova trama, Bonnie, a atual dona dos bonecos, recebe dos pais um tablet chamado Lilypad, na esperança de a ajudar a fazer amigos. A vaqueira Jessie, agora líder do grupo, vê no aparelho uma ameaça à imaginação e às conexões genuínas, desencadeando uma aventura que coloca o mundo analógico em rota de colisão com o digital. O enredo ecoa debates reais, como a recente proibição de redes sociais para menores de 16 anos no Reino Unido, e reflete uma preocupação global com o tempo de ecrã na infância.
O filme, que no Brasil estreia a 18 de junho após sessões de pré-estreia no dia 17, desloca o protagonismo do xerife Woody para Jessie, aprofundando a perspetiva feminina numa franquia que já arrecadou mais de três mil milhões de dólares. Joan Cusack, a voz original da personagem, sublinhou a importância de contar histórias centradas nas experiências das raparigas, "metade da população", trazendo uma profundidade emocional distinta. Woody regressa como coadjuvante, num gesto que reconhece a passagem de testemunho geracional, enquanto Buzz Lightyear e os restantes brinquedos tentam reconquistar o seu lugar num quarto cada vez mais dominado por ecrãs.
Contudo, a receção crítica tem sido a mais dividida da série. Nos Estados Unidos, a revista The Atlantic argumenta que a franquia "esqueceu a sua própria mensagem" sobre o crescimento e a despedida, prolongando artificialmente uma trilogia que já tinha concluído o seu arco. O agregador Rotten Tomatoes regista 93% de aprovação entre os críticos — ainda assim, a nota mais baixa da saga, como notou a Forbes. Na Europa, analistas suecos descrevem o filme como um "dedo trotsista ao presente", animado pela nostalgia de um tempo mais simples, mas que pouco oferece além dessa mensagem básica. Em Itália, celebra-se a alma intemporal dos brinquedos, mas também se questiona se a fórmula não estará a esgotar-se. No Brasil, a crítica tem destacado a relevância do tema para as famílias, ainda que alguns observadores apontem uma certa fadiga narrativa.
Toy Story 5 funciona, assim, como um espelho cultural de uma era em que a tecnologia redefine a infância. Se por um lado o filme acerta ao trazer para o centro do debate a qualidade das interações infantis, por outro revela os limites de uma franquia que já não surpreende como outrora. O futuro da série — e da própria Pixar, que alterna sequelas com projetos originais como a elogiada "Operação Castor" — dependerá da capacidade de equilibrar a herança afetiva com a necessidade de inovação. Para já, o embate entre o plástico e o pixel promete ecoar nas salas de cinema e nas conversas familiares muito depois dos créditos finais.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A imprensa continental europeia vê Toy Story 5 como um gesto desafiador contra a era digital, com brinquedos de plástico e madeira lutando contra o vício em telas. O filme é movido pela saudade de um tempo mais simples e gentil, embora os críticos notem que oferece pouco além dessa mensagem nostálgica. A imaginação dos brinquedos é celebrada como o caminho para vencer a guerra contra a IA.
A cobertura latino-americana enquadra Toy Story 5 como um filme que enfrenta o dilema digital que todos os pais e crianças vivem hoje, com o tablet como novo antagonista. Os veículos focam no que os pais precisam saber, nos novos personagens e na mensagem sobre equilibrar tecnologia e brincadeira. O lançamento também é tratado como um evento comercial e nostálgico, com colaborações de moda e retrospectivas dos 31 anos da franquia.
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