
Taiwan intensifica preparação militar com exercícios e novos drones sob pressão chinesa
Manobras de prontidão imediata, treino obrigatório de reservistas e chegada de drones MQ-9B refletem avaliação de que a linha entre paz e guerra se esbateu no Estreito.
Taiwan deu início a um exercício militar de cinco dias, denominado “Prontidão de Combate Imediata”, concebido para testar a capacidade de deslocamento rápido de tropas perante uma escalada chinesa. Em simultâneo, o Ministério da Defesa Nacional confirmou que, desde janeiro, todos os reservistas passaram a cumprir um treino intensivo obrigatório de 14 dias, abandonando o anterior sistema de dois regimes. A ilha recebeu ainda o primeiro lote de drones MQ-9B SkyGuardian, adquiridos aos Estados Unidos por 687 milhões de dólares, destinados a reforçar a vigilância aérea e a interoperabilidade de informações com aliados.
Segundo o Ministério da Defesa de Taiwan, as manobras visam familiarizar as unidades com as condições do campo de batalha e verificar a rapidez com que as forças transitam de operações de tempo de paz para tempo de guerra. A pasta sublinhou que as persistentes operações aéreas e navais do Exército Popular de Libertação (EPL) diluíram a fronteira entre os dois estados, reduzindo o tempo de reação disponível. Analistas taiwaneses, citados pela imprensa local, notam que o exercício atual difere dos grandes simulacros anuais Han Kuang: concentra-se no momento crítico em que as unidades assumem posições de combate, requisitam equipamento e organizam a logística sob comando autenticado.
A China, que reivindica Taiwan como parte inalienável do seu território, intensificou nos últimos meses patrulhas navais conjuntas e de “prontidão de combate” em torno da ilha. De acordo com a imprensa estatal russa, Pequim considera estas manobras rotineiras, mas Taipei classifica-as como provocações. Observadores europeus, em particular na imprensa italiana, sugerem que a frequência invulgar das operações — com mais de 100 navios a cercar a ilha em maio e incursões na Zona Económica Exclusiva taiwanesa — pode indicar uma estratégia de “zona cinzenta”: aumentar gradualmente a presença para anestesiar as defesas e a opinião pública internacional, à semelhança do que ocorreu no Mar do Sul da China. Pequim mantém o objetivo de incorporar a ilha até 2049, sem excluir o uso da força, e, segundo relatos, constrói réplicas de edifícios governamentais taiwaneses para treinar cenários de decapitação.
Na perspetiva de Washington, o fornecimento dos drones MQ-9B e o contínuo fluxo de armamento a Taiwan inserem-se num esforço para dotar a ilha de capacidades assimétricas de dissuasão. A interoperabilidade dos sistemas com os dos Estados Unidos, Japão e outros parceiros permite a partilha de informações em tempo real, reforçando a coordenação defensiva no Indo-Pacífico. Brasília e Lisboa, que mantêm relações diplomáticas com Pequim no quadro da política de uma só China, acompanham a tensão com preocupação, atentas aos riscos que uma crise no Estreito representaria para as cadeias globais de semicondutores e para a estabilidade regional. Os países africanos de língua oficial portuguesa, igualmente alinhados com o princípio de uma China, observam o agravamento da situação sem intervenção direta.
O ciclo de preparação militar deverá prosseguir com o exercício Han Kuang, previsto para julho ou agosto, enquanto o EPL mantém patrulhas aéreas e navais diárias. O Ministério da Defesa de Taiwan revê ainda a legislação para avaliar a inclusão de ex-militares do sexo feminino no treino obrigatório de reservistas. A trajetória de pressão e resposta consolida um cenário em que a margem para erro de cálculo se estreita, sem que se vislumbre um canal de desescalada imediata.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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As contínuas patrulhas navais chinesas são enquadradas como uma anexação rastejante de Taiwan, não como meros exercícios. Taiwan responde com um exercício de prontidão de combate de cinco dias para testar a reação rápida a uma invasão, enquanto novos drones de vigilância reforçam as suas defesas.
Taiwan iniciou exercícios de cinco dias para melhorar a prontidão de combate em caso de escalada pela China, conforme noticiado pelas agências. Os meios de comunicação russos descrevem os movimentos de tropas e blindados de forma distanciada e factual, sem comentários.
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