
Super El Niño ameaça abastecimento global e reacende debate energético na Colômbia
Fenómeno climático extremo confirmado pela NOAA põe em risco colheitas e redes elétricas, enquanto em Bogotá candidatos presidenciais divergem sobre fracking e energias renováveis.
A confirmação oficial do fenómeno El Niño pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) acendeu alertas em todo o hemisfério. Com projeções que apontam para uma intensidade excecional nos próximos meses, os efeitos em cascata ameaçam a produção agrícola, as cadeias de abastecimento alimentar e a geração hidroelétrica. Nos Estados Unidos, analistas já preveem um agravamento da inflação nos preços dos alimentos, com impacto particular nas importações de frutas e legumes frescos, num contexto em que a taxa de inflação alimentar ronda os 2,9% e se projeta uma subida de 3,4% em 2026.
Na Colômbia, onde a segunda volta das eleições presidenciais se aproxima, o debate energético ganha urgência redobrada. Os candidatos Abelardo de la Espriella e Iván Cepeda espelham visões diametralmente opostas: De la Espriella defende a realização de pilotos regulados de fracking com a melhor ciência disponível, enquanto Cepeda propõe uma política energética integral que reduza a dependência dos combustíveis fósseis e promova energias renováveis. O próximo presidente enfrentará um contexto climático já desenhado pelo Ideam, que prevê um El Niño forte ou muito forte até 2027, com repercussões na agricultura, nos recursos hídricos e na capacidade das barragens hidroelétricas, forçando a uma revisão imediata da estratégia energética nacional.
A perspetiva alarga-se ao mundo lusófono com inquietações semelhantes. No Brasil, a dependência das hidroelétricas coloca o país perante riscos de apagões e racionamento, reavivando o espectro da crise hídrica de 2021. Observadores em Brasília sublinham a necessidade de acelerar a diversificação da matriz energética e os investimentos em solar e eólica. Em Portugal, que atravessa uma seca prolongada, o cenário de temperaturas recorde e ventos fortes anunciado pela NOAA pode agravar a escassez de água e afetar a produção agrícola. Nos países africanos de língua oficial portuguesa, como Angola e Moçambique, a combinação de choques climáticos com sistemas alimentares frágeis poderá aumentar a insegurança alimentar e pressionar as importações.
Para especialistas em clima e energia, o super El Niño expõe a urgência de uma abordagem integrada que articule adaptação climática, segurança alimentar e transição energética. A curto prazo, os governos terão de gerir crises sobrepostas, desde a proteção das colheitas até à garantia do fornecimento elétrico. A mais longo prazo, o fenómeno reforça a necessidade de políticas que reduzam a exposição às volatilidades climáticas, como o reforço das renováveis, a eficiência hídrica e a cooperação internacional. O debate colombiano sobre fracking, observam fontes em Lisboa, ilustra bem o dilema global entre explorar recursos fósseis em momentos de escassez energética ou acelerar a descarbonização para evitar males maiores.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Na Colômbia, o debate sobre o fraturamento hidráulico opõe duas visões: uma que defende projetos-piloto regulamentados para coletar evidências, e outra que exige uma transição para energias renováveis, enquanto o Estado se mostra incapaz de lidar com a questão em meio a eventos climáticos extremos como o El Niño.
Os Estados Unidos se preparam para um “super El Niño” que ameaça as importações de alimentos e as cadeias de abastecimento globais, podendo elevar os preços dos supermercados e afetar a segurança econômica.
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