
Reserva estratégica de petróleo dos EUA cai ao nível mais baixo desde 1983
Administração Trump retirou mais 8,9 milhões de barris na última semana para mitigar efeitos da guerra com o Irão, deixando o stock de emergência em 340,3 milhões de barris.
A reserva estratégica de petróleo dos Estados Unidos desceu a um patamar que não se via desde julho de 1983, quando a administração de Ronald Reagan ainda enchia pela primeira vez as cavernas de sal no Golfo do México. Dados federais publicados na segunda-feira mostram que, só na última semana, foram libertados mais 8,9 milhões de barris, reduzindo o volume total para 340,3 milhões de barris. O número fica abaixo do mínimo anterior, registado em julho de 2023, e representa menos de metade da capacidade máxima de armazenamento. A drenagem acelerada é justificada por Washington como uma ferramenta essencial para conter a escalada dos preços da energia desde o final de fevereiro, quando as tensões com o Irão se transformaram em confronto militar direto.
Na perspetiva de Brasília, a fragilidade do colchão petrolífero norte-americano introduz um novo elemento de volatilidade nos mercados globais, com potenciais repercussões para a estratégia brasileira de expansão da produção do pré-sal. O Brasil, que se posiciona como um dos maiores exportadores de crude entre os países não alinhados com a OPEP, pode ver aumentar a procura pela sua produção caso a capacidade de intervenção de Washington nos preços continue a diminuir. Ao mesmo tempo, uma subida sustentada das cotações beneficia as contas externas brasileiras, mas pressiona a política de preços da Petrobras, permanentemente sob escrutínio político e social.
Observadores em Lisboa sublinham que a erosão da reserva estratégica americana ocorre num momento de fragilidade energética europeia, ainda a recuperar do choque provocado pela invasão russa da Ucrânia. A dependência de importações de gás natural liquefeito dos Estados Unidos e de crude do Médio Oriente torna a economia portuguesa — e a da União Europeia em geral — particularmente sensível a perturbações no Estreito de Ormuz. Uma eventual interrupção prolongada do tráfego marítimo na região, cenário que a própria administração Trump admite como risco, teria impacto direto nos preços dos combustíveis em Portugal, onde o peso dos impostos já amplifica qualquer oscilação do barril.
Para os países africanos lusófonos produtores, como Angola, a redução da almofada estratégica americana pode representar uma oportunidade de curto prazo. A subida das cotações melhora as receitas fiscais e a balança comercial, mas analistas em Luanda alertam que a volatilidade também dificulta o planeamento orçamental e a diversificação económica. A guerra no Médio Oriente e a drenagem da reserva dos EUA acentuam a imprevisibilidade do mercado, tornando mais arriscada a aposta exclusiva no petróleo que ainda domina as economias da região.
A trajetória descendente do stock estratégico americano não é apenas um reflexo da crise geopolítica atual, mas também o resultado de anos de vendas sucessivas, incluindo as retiradas maciças ordenadas por Joe Biden após a invasão russa da Ucrânia. A administração Trump, que prometera recompor as reservas, vê-se agora obrigada a esvaziá-las ainda mais para travar a subida dos preços da gasolina, num ciclo que analistas internacionais consideram insustentável. Com o barril a rondar valores que pressionam a economia global, a questão que se coloca é se a maior potência petrolífera do mundo conseguirá, no futuro, reconstituir um escudo energético que já foi a sua principal arma de estabilização em tempos de crise.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A reserva estratégica de petróleo dos EUA caiu para 340,3 milhões de barris, o nível mais baixo desde 1983, quando o governo Reagan a enchia. As retiradas em andamento visam gerenciar as interrupções no fornecimento.
A reserva estratégica americana despencou para o menor nível em quatro décadas, com o governo Trump continuando a usá-la para amortecer a guerra com o Irã e conter os preços da energia. Desde o início do conflito no final de fevereiro, o estoque encolheu 75 milhões de barris, caindo para menos da metade da capacidade total e superando o mínimo anterior registrado após a invasão russa da Ucrânia.
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