
Reino Unido testa mísseis de longo alcance para a Ucrânia sem dependência dos EUA
Novos engenhos evitam componentes norte-americanos, permitindo a Kiev atacar alvos na Rússia sem autorização de Washington; entregas podem começar dentro de meses.
O Reino Unido concluiu com êxito os primeiros testes de uma nova família de mísseis de ataque de longo alcance destinados à Ucrânia, num programa que dispensa componentes sob controlo das leis norte-americanas de exportação de armamento (ITAR). De acordo com fontes do Ministério da Defesa britânico citadas pelo jornal The Telegraph, os ensaios decorreram nas ilhas Hébridas, ao largo da Escócia, e envolveram os três consórcios selecionados no âmbito do Project Brakestop: a MBDA UK, a MGI Engineering e a Rotron Aerospace. As armas, capazes de percorrer entre 480 e 500 quilómetros e de transportar ogivas de 225 a 250 quilogramas a velocidades superiores a 600 km/h, foram concebidas para serem mais baratas e rápidas de produzir do que os mísseis Storm Shadow fornecidos anteriormente.
O objetivo declarado de Londres é iniciar as entregas à Ucrânia no prazo de um ano, após uma nova ronda de testes prevista para os próximos meses. A ministra das Forças Armadas, Louise Sandher-Jones, sublinhou que o projeto representa um passo para garantir capacidades soberanas de defesa, independentes das autorizações exigidas pelo regime ITAR dos EUA. Esta autonomia é vista por analistas como uma resposta direta às restrições impostas por Washington aos ataques com armamento de longo alcance em profundidade no território russo. O desenvolvimento começou em 2024, na sequência do desconforto norte-americano com o uso de Storm Shadow e, mais tarde, ATACMS contra alvos na Rússia, e insere-se numa vaga de iniciativas britânicas que inclui também o míssil balístico Nightfall e drones interceptores Octopus.
Do lado russo, a reação foi imediata. A agência RIA Novosti, citada pela Antara News, recordou que o Presidente Vladimir Putin advertira em 2024 que o fornecimento de armamento de precisão de longo alcance a Kiev transforma os Estados fornecedores em participantes diretos no conflito e prejudica a segurança global. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, em declarações reproduzidas por fontes oficiais, sublinhou que os carregamentos de armas destinados à Ucrânia constituem alvos legítimos para as forças russas. Em Moscovo, a proximidade do alcance dos novos mísseis à capital — a imprensa britânica admite a possibilidade de ataques a Moscovo — é tratada como mais um elemento de escalada, num momento em que o Kremlin reitera a sua determinação em prosseguir a “operação militar especial”.
Para os observadores lusófonos, o programa britânico acentua a complexidade geopolítica do conflito. Em Brasília, o Itamaraty tem mantido uma posição de equidistância crítica, defendendo canais de diálogo e abstendo-se de alinhamentos que possam ser interpretados como participação indireta na guerra. Em Lisboa, fontes diplomáticas recordam que, enquanto membro da NATO, Portugal apoia o direito da Ucrânia à autodefesa, mas o investimento em armamento de fabrico não-americano é acompanhado com prudência, já que pode reduzir a margem de manobra dos EUA na contenção da escalada. O próximo passo conhecido é a realização de testes adicionais em território britânico; a produção em massa só arrancará depois disso, com as primeiras remessas previstas para o final de 2026 ou início de 2027.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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British defence officials confirmed successful tests of a new long-range cruise missile designed for Ukraine. The weapon, developed under Project Brakestop, can strike targets up to 500 km away and is intended to be cheaper and faster to produce than existing systems like Storm Shadow. Delivery to Ukraine is expected within months, with the UK aiming to reduce reliance on US components for operational flexibility.
British tests of a new long-range missile for Ukraine are cast as a deliberate provocation aimed at escalating the conflict. Sources highlight that the weapon is built without US parts to bypass restrictions on strikes deep into Russian territory. Commentators warn that such moves risk triggering a harsh Russian response.
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