
Protesto anti-G7 em Genebra incendeia Tesla e confronta a polícia antes de cimeira
Cerca de 20 mil pessoas marcharam na véspera do encontro de líderes em Évian; grupos mascarados vandalizaram símbolos do capitalismo e do multilateralismo, e a polícia respondeu com gás lacrimogéneo.
A manifestação era inicialmente festiva, mas bastaram poucas horas para que a avenida junto ao lago Léman se transformasse num campo de gás lacrimogéneo e pedras. No domingo, cerca de 20 mil pessoas, segundo números consensuais entre a polícia e os organizadores, atravessaram o centro de Genebra para contestar a cimeira do G7 que hoje se inicia na margem francesa, em Évian-les-Bains. Durante o percurso, um grupo de cerca de 600 militantes, encapuzados e vestidos de negro, destacou-se da marcha, incendiou um Tesla estacionado, partiu janelas de uma agência das Nações Unidas e arrancou paralelepípedos do pavimento para os arremessar contra as forças de segurança. A polícia cantonal recorreu a gás lacrimogéneo e a canhões de água para dispersar os radicais, um cenário que recordou, para analistas europeus, os confrontos do G8 de Génova em 2001.
A coligação “No G7”, que junta mais de sessenta organizações, sindicatos e partidos da esquerda internacional, desenhara uma parada de protesto contra aquilo a que os cartazes chamavam “políticas imperialistas e fascistas” do clube das democracias mais ricas. Na multidão viam-se bandeiras curdas, palestinianas e arco-íris, ao lado de faixas feministas e ambientalistas. De acordo com relatos vindos da imprensa italiana e suíça, os militantes black bloc agiram de forma coordenada, usando vestes pretas e máscaras para se confundirem entre os manifestantes pacíficos. A escolha dos alvos — um automóvel elétrico da Tesla, vidraças da ONU e montras bancárias — foi interpretada por observadores em Lisboa como um ataque performativo ao que o bloco considera símbolos gêmeos do capitalismo tecnológico e do multilateralismo gerido pelas potências ocidentais.
Na perspetiva de Brasília, o episódio relança o debate sobre a segurança em grandes cimeiras diplomáticas, um tema sensível desde que o Brasil acolheu a Rio+20 e, mais recentemente, o G20 no Rio de Janeiro. Lisboa, por seu turno, acompanha o desenrolar do encontro de Évian com a atenção de quem já sentiu o impacto das fracturas antiglobalização nas ruas europeias, nomeadamente durante a presidência portuguesa da União Europeia em 2007. Já nas capitais da África lusófona, como Luanda e Maputo, os ecos anti-imperialistas dos protestos encontram ressonância em setores da sociedade civil que desconfiam das promessas de ajuda e das condicionalidades impostas pelo Norte global.
A cimeira, que decorre até dia 17 com a presença de Donald Trump e dos chefes de governo de França, Reino Unido, Canadá, Alemanha, Itália, Japão e União Europeia, tem no centro da agenda as guerras na Ucrânia e no Médio Oriente, o programa nuclear iraniano e a regulação da inteligência artificial. A violência de domingo leva a crer que o dispositivo de segurança, já blindado, será ainda mais reforçado, isolando os líderes num cenário de frente lacustre enquanto as ruas a poucos quilómetros ecoam a hostilidade aos consensos que ali se tentarão construir. Para diplomatas e analistas, o desafio é claro: como retomar um diálogo aberto com uma cidadania que vê estas cimeiras cada vez mais como uma arquitectura de privilégio.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Na véspera do G7 em Evian, um protesto em Genebra com 20 mil pessoas descambou em violência: militantes black bloc atacaram símbolos do capitalismo, quebraram vitrais da ONU e incendiaram um Tesla, fazendo lembrar os confrontos do G8 de Gênova. A polícia lançou gás lacrimogéneo e isolou a cidade.
A polícia de Genebra usou gás lacrimogéneo contra milhares de manifestantes contrários ao G7. Os manifestantes atiraram pedras, partiram janelas da ONU e incendiaram um Tesla, resultando em detenções.
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