
Polícia vietnamita resgata mais de 400 gatos vivos de rede de tráfico para abate
Operação em Ho Chi Minh desmantela esquema que atuava há três anos; organizações internacionais alertam para a dimensão do comércio ilegal de carne felina no Sudeste Asiático.
Uma operação policial de vários dias em Ho Chi Minh, a maior metrópole do Vietnã, resultou no resgate de mais de 400 gatos vivos e na apreensão de cerca de 80 corpos congelados, desmantelando uma rede criminosa que, durante pelo menos três anos, furtava animais de estimação para abastecer o mercado ilegal de carne felina. Nove suspeitos foram detidos, acusados de integrar um grupo especializado em roubar e recolher gatos em diversas províncias do sul do país, como Tay Ninh, mantendo-os em jaulas antes de vendê-los a restaurantes. A ação, considerada uma das maiores intervenções de proteção felina já registadas no Vietnã, foi desencadeada por uma investigação sobre uma vaga de desaparecimentos de animais domésticos. Apesar do salvamento, dezenas de gatos morreram nos dias seguintes devido às condições precárias em que eram mantidos, enquanto mais de 40 puderam ser devolvidos aos seus tutores.
O consumo de carne de cão e gato é legal no Vietnã, mas exige licenças sanitárias e de abate que a quadrilha não possuía, operando à margem da lei. A organização internacional Humane World for Animals, que prestou assistência alimentar aos animais resgatados, classificou o episódio como “um lembrete preocupante da enorme escala do comércio de carne de gato” no país. Embora a prática venha perdendo adesão entre as gerações mais jovens e enfrente crescente pressão de ativistas, ela persiste em certas regiões como tradição culinária e, frequentemente, como atividade clandestina que vitima animais de companhia, gerando comoção entre famílias que perdem os seus animais.
Na perspetiva de Brasília, o caso ecoa debates ainda em curso sobre o fortalecimento da legislação de proteção animal no Brasil, onde o consumo de gatos é culturalmente rejeitado, mas o tráfico de animais silvestres e os maus-tratos a pets seguem como desafios. Observadores em Lisboa notam que, embora a realidade vietnamita pareça distante, a Europa enfrenta as suas próprias redes ilegais de comércio de animais de companhia, muitas vezes transnacionais, e a necessidade de harmonizar mecanismos de rastreamento e punição. Já nos países africanos de língua portuguesa, como Angola e Moçambique, o consumo de carne de gato é residual, mas o episódio lança luz sobre a vulnerabilidade dos animais em mercados informais e sobre a urgência de políticas públicas que distingam tradições culturais de crueldade organizada.
O desfecho da operação em Ho Chi Minh expõe a complexidade de um fenómeno que mescla hábitos enraizados, lacunas de fiscalização e crime estruturado. A devolução de algumas dezenas de gatos aos donos contrasta com o destino dos que já haviam sido abatidos e armazenados, ilustrando a linha ténue entre o animal como membro da família e como mercadoria. Para organizações internacionais, o caso reforça a necessidade de campanhas de sensibilização e de uma cooperação mais estreita entre governos e entidades de proteção animal, sobretudo num contexto em que o roubo de animais de estimação para abate continua a ser uma ferida aberta em várias partes do Sudeste Asiático.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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No Vietnã, mais de 400 gatos roubados foram resgatados de uma rede de tráfico de carne. Os animais, amados como membros da família, eram sistematicamente capturados e vendidos por quilo a restaurantes. A operação policial desmontou uma rede criminosa, gerando indignação com a crueldade do comércio.
A polícia vietnamita desmantelou uma quadrilha criminosa de grande escala especializada no roubo de gatos para consumo. Mais de 400 gatos foram resgatados em operações nas províncias de Tay Ninh e Ho Chi Minh, e nove pessoas foram presas. A operação foi relatada como um sucesso direto das autoridades contra um comércio ilegal.
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