
Oito nações islâmicas condenam ataques a mesquitas na Cisjordânia ocupada
Declaração conjunta de ministros dos Negócios Estrangeiros, incluindo Indonésia e países árabes, denuncia violência de colonos israelitas e apela à responsabilização internacional.
A incursão de colonos israelitas contra duas mesquitas na Cisjordânia ocupada, na noite de 17 de junho, desencadeou uma vaga de condenações diplomáticas que transcendeu o mundo árabe. Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Turquia, Egito, Indonésia, Paquistão, Arábia Saudita e Qatar emitiram uma declaração conjunta na qual classificam os ataques — que incluíram fogo posto e grafitis hostis nas mesquitas de Jiljilya e Mazar’a al-Nubani, a norte de Ramallah — como “violação clara da santidade dos locais de culto” e do direito internacional humanitário. O comunicado, difundido em várias línguas, responsabiliza Israel enquanto potência ocupante e exige que a comunidade internacional obrigue o país a cessar a escalada de violência e a pôr fim à impunidade dos agressores.
Na perspetiva do Médio Oriente alargado, a iniciativa dos oito governos — que inclui Ancara e Islamabad, além de pesos-pesados do Golfo — revela uma frente islâmica invulgarmente coesa. O Irão, que não subscreveu o texto, emitiu uma condenação própria através do porta-voz dos Negócios Estrangeiros, Esmail Baghaei, qualificando os atos de “continuação da política de genocídio colonial do regime sionista” e criticando o silêncio dos mecanismos de direitos humanos da ONU. Teerão instou a Organização de Cooperação Islâmica a tomar “medidas práticas” para proteger a Mesquita de Al-Aqsa e outros locais sagrados, um apelo que ecoa a frustração de capitais muçulmanas com a paralisia do Conselho de Segurança.
A Indonésia, a maior nação de maioria muçulmana do mundo, desempenhou um papel central na articulação da declaração, reforçando a dimensão asiática da causa palestiniana. Jacarta, que mantém laços históricos com a Palestina e não reconhece Israel, vê na escalada dos colonatos um obstáculo direto aos esforços de paz. Observadores em Brasília notam que o Brasil, defensor tradicional da solução de dois Estados e membro do BRICS, ainda não se pronunciou formalmente, mas a condenação de oito parceiros do Sul Global alinha-se com a posição histórica da diplomacia brasileira, que repudia a expansão dos colonatos e defende o estatuto de Jerusalém Oriental como capital de um futuro Estado palestiniano.
Os ataques ocorrem num contexto de intensificação da violência dos colonos desde o início da guerra de Gaza em 2023, com relatos de incêndios, vandalismo e agressões físicas contra comunidades palestinianas. A declaração conjunta sublinha que as “medidas unilaterais e ilegais” de Israel alimentam a instabilidade e o extremismo, minando as iniciativas internacionais de paz. Ao reafirmar o direito inalienável do povo palestiniano à autodeterminação e a um Estado soberano nas fronteiras de 1967, com capital em Jerusalém Oriental, os oito ministros reiteram o compromisso com a Iniciativa de Paz Árabe e as resoluções da ONU, num momento em que a viabilidade da solução de dois Estados é posta em causa pela realidade no terreno.
Analistas em Lisboa e Maputo sublinham que a pressão sobre Israel tende a crescer à medida que aumentam os incidentes contra locais de culto, tocando numa fibra sensível para as comunidades muçulmanas da África lusófona, como a significativa minoria islâmica em Moçambique. A incapacidade de responsabilizar os perpetradores, advertem os signatários, não só perpetua o ciclo de violência como corrói a credibilidade do sistema internacional. A próxima sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU poderá ser palco de novas iniciativas para transformar a condenação retórica em mecanismos de monitorização e sanções, mas o historial de vetos no Conselho de Segurança mantém as expectativas baixas.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Um comunicado conjunto de oito ministros das Relações Exteriores árabes e islâmicos condena nos termos mais veementes a violência dos colonos contra os palestinos e os ataques a mesquitas na Cisjordânia, classificando-os como violação flagrante do direito internacional e da sacralidade dos locais de culto. Os ministros rejeitam as medidas unilaterais israelenses e instam a comunidade internacional a agir para pôr fim a essas agressões.
Autoridades iranianas denunciam os ataques dos colonos às mesquitas como continuação da política de genocídio colonial do regime sionista na Palestina ocupada. Expressam profundo pesar pelo silêncio contínuo dos órgãos internacionais de direitos humanos e do Conselho de Segurança da ONU, o que, segundo eles, encoraja a ilegalidade do regime e os crimes contra os palestinos e outras nações da região. Destaca-se o dever religioso e legal dos governos islâmicos de apoiar o povo palestino até que a autodeterminação seja alcançada e a máquina de matar seja detida.
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