
Obesidade recua nos EUA com novos fármacos, mas dispara entre jovens na Itália e no Brasil
Enquanto 11% dos americanos já usam medicamentos GLP-1 e a taxa de obesidade cai para 36,4%, dados italianos mostram aumento de 75% entre mulheres de 18 a 34 anos; Brasil projeta alta de 46% na obesidade feminina.
Nos Estados Unidos, a taxa de obesidade recuou para 36,4% em 2026, face ao recorde de 39,9% registado em 2022, segundo um inquérito da Gallup. No mesmo período, a proporção de americanos que utilizam medicamentos da classe GLP-1 para perda de peso atingiu 11%, o valor mais alto de sempre. Em contraste, dados do instituto italiano Istat revelam que, embora o excesso de peso global da população se tenha mantido estável, a obesidade entre mulheres jovens (18 a 34 anos) disparou 75% entre 2016 e 2025, passando de 3,6% para 6,3%. Entre os homens da mesma faixa etária, o aumento foi de 35%. O fenómeno concentra-se nas gerações mais novas e acende um alerta em Itália, onde 6 milhões de adultos vivem com obesidade e as taxas infantojuvenis estão entre as mais elevadas da Europa.
A divergência de tendências reflete, por um lado, o impacto da introdução de fármacos inovadores e, por outro, a complexidade multifatorial da doença. Os agonistas do recetor GLP-1, como a semaglutida e a tirzepatida, demonstraram eficácia na redução do apetite e do peso corporal, e a sua rápida adoção nos EUA coincide com a primeira queda sustentada da prevalência de obesidade em anos. Já o aumento observado em Itália, discutido no Italian Barometer Obesity Forum, em Roma, é atribuído por especialistas a desequilíbrios hormonais, fatores genéticos e alterações metabólicas. A endocrinologista brasileira Laiza Tabisz, em artigo no Valor Econômico, sublinha que a obesidade é uma doença inflamatória crónica em que hormonas como a grelina, a leptina, a insulina e o cortisol interferem no armazenamento de gordura e na sensação de fome, e que a taxa metabólica basal varia com a idade, o sexo e a massa muscular, dificultando a perda de peso.
No Brasil, o cenário também preocupa. Dados do Ministério da Saúde indicam que, em 2023, 59,6% das mulheres apresentavam excesso de peso e 24,8% eram obesas. Projeções do Atlas Mundial da Obesidade 2025 apontam para um crescimento de 46,2% da obesidade feminina nos próximos cinco anos. A medicina personalizada, que considera o perfil hormonal e metabólico individual, surge como resposta, mas o acesso a terapêuticas como os análogos de GLP-1 ainda é limitado no sistema público.
Em Itália, o governo aprovou uma lei que reconhece a obesidade como doença crónica e recidivante e prevê a criação de um observatório nacional para monitorização e promoção de estilos de vida saudáveis. O ministro da Saúde, Orazio Schillaci, defendeu a integração entre saúde, escola, desporto e comunicação. A Novo Nordisk, que apoia o fórum, reforçou o compromisso com a investigação e a prevenção. O próximo marco factual será a publicação do Italian Barometer Obesity Report 2026 e a ativação do observatório, enquanto nos EUA se acompanha a evolução da utilização dos GLP-1 e os seus efeitos na saúde pública.
| Imprensa europeia continental | 0.00 | neutral |
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| Imprensa latino-americana | −0.20 | neutral |
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.60 | critical |
A Itália registra um aumento alarmante da obesidade entre as jovens mulheres, com dados do Istat mostrando um aumento de 75% em dez anos, enquanto a população geral permanece estável.
O bloco utiliza estatísticas oficiais do Istat para apresentar o problema como um fato objetivo, evitando linguagem emocional, mas deixando os números falarem.
O bloco omite qualquer discussão sobre causas subjacentes, como dieta, estilo de vida ou acesso a cuidados de saúde, e não conecta os dados ao contexto mais amplo do câncer de mama ou da imagem corporal.
O Brasil enfrenta uma epidemia de obesidade feminina, com 59,6% das mulheres com excesso de peso, enquanto a Argentina alerta para o aumento da mortalidade por câncer de mama entre jovens.
O bloco combina dados nacionais de saúde com comentários de especialistas para criar urgência e a necessidade de abordagens médicas personalizadas, usando a autoridade de médicos e estudos.
O bloco omite qualquer menção à pressão pela imagem corporal ou à indústria antienvelhecimento, focando apenas em resultados clínicos de saúde.
A indústria antienvelhecimento e a cultura da dieta deixaram as mulheres mais velhas ainda em guerra com seus corpos, explorando inseguranças para obter lucro.
O bloco utiliza um estilo pessoal e testemunhal para evocar empatia e indignação moral, posicionando a indústria como antagonista.
O bloco omite qualquer dado estatístico sobre obesidade ou câncer de mama, focando apenas na experiência subjetiva e na crítica cultural.
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