
Katy Perry condena uso de 'Firework' em vídeo militar da Casa Branca
A artista junta-se a uma vaga de músicos que protestam contra a apropriação não autorizada das suas obras pela administração Trump.
O vídeo dura apenas oito segundos, mas o impacto é imediato. Na conta oficial da Casa Branca no TikTok, imagens de ataques aéreos noturnos explodem em sincronia com o refrão de “Firework”, o êxito pop de Katy Perry de 2010. A cada “boom, boom, boom”, relâmpagos de bombas iluminam o ecrã. A legenda é seca: “O Irão foi avisado”. Um emoji de fogo de artifício sublinha a associação. A publicação, que permaneceu no ar durante a manhã de sábado, acendeu uma polémica que rapidamente extravasou as redes sociais.
Horas depois, a própria cantora reagiu com fúria na plataforma X. “Estou profundamente chocada e furiosa ao ver ‘Firework’ usada na conta da @WhiteHouse como banda sonora para imagens de ataques militares”, escreveu. Perry frisou que não autorizou, não foi consultada e “de forma alguma aprova” o uso. Na mesma publicação, recordou a génese da canção: um hino de esperança, cura e força interior, composto para pessoas que atravessam momentos sombrios. “Ver uma mensagem de autoestima e superação a ser instrumentalizada como trilha sonora da destruição e da violência é uma violação completa de tudo o que a minha canção representa”, afirmou.
O gesto inscreve-se num padrão de tensão entre artistas e a administração Trump. Nas semanas anteriores, figuras como Ariana Grande, Sabrina Carpenter, Olivia Rodrigo, SZA e Kesha já tinham criticado a utilização das suas canções em vídeos oficiais sobre operações de imigração e fiscalização de fronteiras. Carpenter classificou a apropriação de “Juno” como “maligna e repugnante”; Grande descreveu o conteúdo como “bárbaro e desumano”. Na perspetiva dos observadores em Brasília, a recorrência destes episódios revela uma estratégia de comunicação que ignora os direitos de autor e a intenção artística. Em Lisboa, analistas culturais notam que a utilização de canções pop em contextos bélicos subverte a função da música como veículo de coesão e escapismo, transformando-a em mera banda sonora de propaganda.
A indignação de Perry ecoou velozmente entre fãs e na esfera mediática internacional. No Brasil, onde a sua digressão “Lifetime” passou em 2025 com casa cheia, a tomada de posição amplificou o debate sobre os limites da instrumentalização política da arte. Em Luanda e Maputo, o caso chegou através das redes sociais e reavivou a discussão sobre a defesa da integridade criativa.
Até ao momento, a Casa Branca não se pronunciou, e Perry não indicou se avançará com medidas legais. A imagem que perdura é a de um refrão luminoso — originalmente uma metáfora de resiliência — a ser justaposto a clarões de explosões, como se o próprio “firework” tivesse mudado de significado. Numa das suas frases finais, a cantora escreveu: “A minha música serve para unir as pessoas, não para celebrar a guerra”. A frase, partilhada milhares de vezes, sintetiza a fricção entre a vontade autoral e a máquina de comunicação de um governo.
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