
Novo primata no Congo e diamantes profundos revelam sistemas ocultos
A descrição do colobo-de-lábios-alaranjados e o estudo de diamantes superprofundos ilustram como a ciência desvenda a biodiversidade e o interior do planeta, enquanto o setor mineral reporta avanços em exploração.
A descrição de uma nova espécie de primata nas florestas do leste da República Democrática do Congo, o colobo-de-lábios-alaranjados (Colobus congoensis), conhecido localmente como likoli, marca a quinta adição ao catálogo de macacos africanos em 75 anos. A equipa de investigadores norte-americanos baseou-se em 114 avistamentos entre 2018 e 2022, análises genéticas e estudos cranianos para confirmar que a linhagem se separou há 4 a 5 milhões de anos. A distribuição restrita a cerca de 1.700 km² e a pressão da caça colocam a espécie sob ameaça imediata, alertam os autores na revista PLOS ONE. A descoberta ecoa em países lusófonos com florestas tropicais, como o Brasil e Angola, onde a descrição de novos primatas também avança.
Em outra escala de profundidade, geólogos da Universidade da Cidade do Cabo revelaram que os diamantes excecionais da classe CLIPPIR — como o Cullinan, de 3.106 quilates — se formam a mais de 400 km de profundidade, na zona de transição do manto terrestre. A análise da química da olivina em quimberlitos que transportam estes diamantes identificou domínios invulgarmente ricos em ferro, sugerindo que as rochas hospedeiras originais foram crosta oceânica subduzida. O estudo, que oferece uma ferramenta prática para a prospeção diamantífera, interessa a países produtores como Angola e Brasil, onde a compreensão dos indicadores mantélicos pode orientar novas campanhas.
No setor mineiro, os resultados de exploração divulgados esta semana reforçam a ligação entre ciência fundamental e prospeção. A White Cliff Minerals reportou, no seu projeto Rae, no Canadá, um intercepto de 41,5 metros com 0,87% de cobre, alargando o corredor mineralizado para mais de 5,4 km. Na Austrália, a Gateway Mining iniciou uma campanha com três sondas no projeto Yandal, após descobertas de ouro em aircore, enquanto a Australian Gold & Copper intersetou 26 metros com 102 g/t de prata equivalente no depósito Achilles. Estes avanços, embora em fase de delineação, mostram como a leitura geoquímica do subsolo orienta o investimento.
A semana científica trouxe ainda a deteção de eritrulose, um açúcar simples, numa nuvem molecular da Via Láctea — a primeira evidência de um sacárido no espaço interestelar —, a descoberta do âmbar mais antigo, com 385 milhões de anos, na China, e a identificação de uma substância emitida pela rainha do rato-toupeira-pelado que bloqueia a ovulação das outras fêmeas. Em conjunto, estes resultados sublinham o ritmo acelerado da produção de conhecimento, da genética à astroquímica.
O próximo marco para o likoli será a eventual classificação formal como espécie ameaçada e o reforço da proteção do Parque Nacional de Lomami. Para a indústria mineira, os olhos voltam-se para os ensaios pendentes das campanhas de perfuração, que determinarão a viabilidade económica das descobertas.
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Estamos desenterrando os tesouros escondidos da Terra e transformando-os em realidade econômica.
Ao citar pesos em quilates e comprimentos de perfuração específicos, criamos uma aura de precisão e inevitabilidade.
A descoberta de uma nova espécie de macaco no Congo não é mencionada, pois não se encaixa na narrativa econômica.
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