
Tiroteios do ICE matam dois migrantes e Trump reverte pausa em operações
México denuncia 17 mortes de cidadãos sob custódia migratória e apresenta queixas ao Departamento de Justiça dos EUA, enquanto Washington recua e depois retoma abordagens de trânsito.
Agentes do Serviço de Imigração e Controlo de Alfândegas dos EUA (ICE) mataram a tiro dois homens em menos de uma semana — um mexicano de 52 anos em Houston, Texas, e um colombiano de 26 anos em Biddeford, Maine — e um terceiro migrante, também mexicano, morreu atropelado ao fugir de uma operação em St. Augustine, Florida. Nenhum dos três era o alvo direto das ações, admitiu o Departamento de Segurança Interna (DHS). As mortes elevaram para pelo menos 17 o número de cidadãos mexicanos falecidos sob custódia ou em operativos migratórios desde o início do ano, segundo o governo de Claudia Sheinbaum.
O primeiro caso ocorreu a 7 de julho, quando Lorenzo Salgado Araujo, que vivia há 35 anos nos EUA e trabalhava na construção civil, foi baleado durante uma paragem de trânsito. O ICE alegou que o agente disparou em legítima defesa depois de Salgado Araujo ter usado a carrinha para tentar atropelar os agentes. A família contesta a versão e afirma que ele jamais representaria uma ameaça. Dias mais tarde, o FBI obteve um mandado para revistar o veículo e encontrou quatro pequenas embalagens com uma substância cristalina branca “consistente” com metanfetamina, mas não foram divulgados resultados de testes laboratoriais. A 13 de julho, no Maine, Joan Sebastián Durán Guerrero, colombiano com autorização de trabalho, foi atingido na cabeça por um agente recém-recrutado. A sua morte gerou protestos no estado e reacendeu o debate sobre o uso da força letal e a ausência de câmaras corporais nos agentes do ICE.
Na perspetiva de Brasília, a sucessão de mortes levou o governo mexicano a endurecer a resposta diplomática. A presidente Sheinbaum anunciou a apresentação de denúncias junto do Departamento de Justiça norte-americano e solicitou a intervenção do alto comissário da ONU para os direitos humanos. A Comissão Permanente do Congresso mexicano condenou os operativos e exigiu investigações, embora o PRI se tenha recusado a subscrever o texto, criticando a falta de uma estratégia eficaz de proteção consular. Juristas ouvidos pela imprensa internacional sublinham, contudo, que um governo estrangeiro não pode iniciar processos penais nos EUA, apenas prestar apoio às vítimas.
Em Washington, a resposta foi marcada por uma reviravolta. Na terça-feira, o secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, ordenou a suspensão temporária da maioria das paragens de trânsito do ICE, medida que o “czar da fronteira” Tom Homan classificou como uma pausa para revisão de procedimentos. Menos de 24 horas depois, o presidente Donald Trump anulou a decisão, após uma vaga de críticas de aliados da ala mais dura do seu eleitorado, como Steve Bannon. “NÃO PODEMOS abdicar de uma das ferramentas mais importantes e eficazes do ICE contra o crime: AS PARAGENS DE TRÂNSITO!”, escreveu na rede Truth Social. Mullin alinhou o discurso, afirmando que ele e Trump estão “na mesma página”.
O governador do Texas, Greg Abbott, anunciou que os Texas Rangers vão investigar a morte de Salgado Araujo em coordenação com as autoridades federais, enquanto o mayor de Houston pedira uma investigação independente. O DHS mantém uma investigação interna através do seu gabinete de inspetor-geral. Até ao momento, não foram apresentadas acusações contra nenhum agente envolvido nos três incidentes.
| Imprensa latino-americana | −0.80 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.20 | neutral |
O México exige justiça e condena a violência sistemática do ICE contra migrantes.
Ao enquadrar a morte como parte de um padrão de 17 assassinatos e iniciar procedimentos legais, o bloco transforma um incidente isolado em um confronto diplomático e judicial, pressionando o governo dos EUA.
O bloco omite qualquer discussão detalhada das evidências do FBI sobre posse de drogas, o que poderia complicar a narrativa de um assassinato não provocado.
A família de Lorenzo Salgado Araujo questiona a narrativa oficial e pede uma investigação transparente.
Ao centralizar o testemunho pessoal dos filhos e o impacto emocional, o bloco humaniza a vítima e cria empatia, tornando as alegações oficiais menos críveis.
O bloco omite o contexto mais amplo de 17 mortes de mexicanos sob o ICE e as ações legais do governo mexicano, que enquadrariam o incidente como parte de um padrão sistêmico.
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