
Modi e Carney relançam laços Índia-Canadá na cimeira do G7
Encontro em Evian-les-Bains, o quarto em menos de um ano, impulsiona negociações comerciais e de segurança, enquanto Modi também interage com Trump e Starmer.
O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, e o seu homólogo canadiano, Mark Carney, aproveitaram a cimeira do G7 em França para dar um novo impulso à relação bilateral, abalada desde 2023 por acusações de interferência estrangeira e repressão transnacional envolvendo Nova Deli. No encontro à margem da reunião de Evian-les-Bains, Carney convidou Modi para uma visita oficial ao Canadá ainda este ano e ambos acordaram lançar negociações para um Acordo Geral de Segurança da Informação, que permitirá a troca de dados classificados de defesa e segurança — um gesto de confiança mútua que contrasta com a ausência de qualquer menção às tensões do passado recente no comunicado oficial canadiano.
A prioridade económica dominou a conversa. Os dois líderes comprometeram-se a acelerar as conversações para um Acordo de Parceria Económica Abrangente (CEPA), com a expectativa de concluir o pacto até 2026. Trata-se da quarta reunião entre Modi e Carney em menos de um ano, sinal de um compromisso partilhado em reconstruir pontes. A agenda incluiu ainda comércio, energia, inovação, educação e mobilidade de talentos, áreas que Nova Deli vê como complementares à sua estratégia de diversificação de parcerias. Na perspetiva de Brasília, o estreitamento de laços entre a Índia e uma nação do G7 como o Canadá pode reconfigurar as cadeias de valor globais, com eventuais reflexos para o Brasil enquanto parceiro dos BRICS e fornecedor de recursos estratégicos.
Modi manteve também conversações com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, centradas no reforço da colaboração em comércio, investimento, tecnologia e defesa. O encontro com Donald Trump, o primeiro frente a frente em 16 meses, foi breve mas simbólico: um aperto de mão e algumas palavras trocadas antes de uma reunião bilateral agendada para o dia seguinte, que deverá abordar a meta de expandir o comércio bilateral para 500 mil milhões de dólares até 2030, no âmbito da iniciativa US-India COMPACT. A presença de Modi no G7 — a oitava consecutiva da Índia como país convidado — reforça o papel de Nova Deli nos debates sobre segurança global e sustentabilidade.
Observadores em Lisboa notam que a intensificação dos laços indo-canadianos ocorre num momento em que a União Europeia também procura concluir acordos comerciais com o bloco sul-asiático, criando um ambiente de competição estratégica. Para as nações lusófonas, a reaproximação entre duas das maiores democracias do mundo pode servir de modelo para a resolução de diferendos diplomáticos sem sacrificar os interesses económicos. A cimeira de Evian-les-Bains, ao reunir líderes do G7 e convidados como Modi, sublinha a urgência de arquiteturas multilaterais mais inclusivas, num contexto de fragmentação geopolítica e reconfiguração das alianças transatlânticas.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O encontro entre Carney e Modi focou no lançamento de um acordo de compartilhamento de informações sigilosas, evitando qualquer menção às acusações passadas de interferência indiana no Canadá. O tom é de reaproximação cautelosa, priorizando a cooperação em segurança sobre tensões não resolvidas.
O quarto encontro entre Modi e Carney em menos de um ano sinaliza um degelo decisivo, com ambos os lados pressionando para finalizar um pacto comercial abrangente até 2026. A narrativa destaca a crescente estatura global da Índia, a cooperação energética e o afastamento de irritantes passados, como as alegações de Nijjar.
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