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Sociedade & Culturasábado, 20 de junho de 2026

Menos filhos, outras ambições: como o mundo repensa a parentalidade

De Mumbai a Buenos Aires, a taxa de fecundidade cai e cresce o número de mulheres que adiam ou rejeitam a maternidade, num rearranjo silencioso de prioridades.

Aos 30 anos, Sharon Michael sentiu que a maternidade não teria lugar na sua vida. Não foi uma decisão repentina, mas uma constatação que se sedimentou ao longo dos anos, entre a carreira no setor empresarial e uma pausa para concluir um MBA. “Ter filhos nunca foi uma prioridade”, diz, aos 36. O diagnóstico de síndrome de ovário policístico apenas reforçou a escolha. “Não vejo esse estilo de vida a encaixar-se com uma criança, não faria justiça a nenhum dos dois.” A hesitação de Michael ecoa um fenómeno que atravessa continentes.

Na Índia, o país mais populoso do mundo, a taxa de fecundidade caiu para 1,9 filhos por mulher, abaixo do nível de reposição de 2,1, segundo o relatório do Sistema de Registo de Amostras de 2024. Em Nova Deli, o índice já é de 1,2. Para um país que, nos anos 1990, promovia o slogan “Hum Do, Hamare Do” (nós dois, nossos dois), a transformação é notável. A queda, diferentemente da China, deu-se sobretudo por escolhas voluntárias, impulsionadas pela urbanização, pelo acesso à contraceção e pela maior escolaridade feminina. Sejal Chaturvedi, bancária de 34 anos, casada há dois, ama crianças mas não se sente pronta. “É uma enorme responsabilidade, trabalho, tempo e investimento emocional”, explica. Shaili Kaushik, mãe aos 37, sublinha que só o fez quando se sentiu verdadeiramente preparada. “Não deveria haver pressão sobre ninguém para ter filhos.”

Na Suíça, a taxa de natalidade recuou para 1,28 filhos por mulher em 2025, e a idade média das mães alcançou os 32,5 anos. Um estudo da Universidade de Zurique revelou que a parcela de jovens que optam deliberadamente por não ter filhos duplicou numa década, passando de 7% para 16% entre os 20 e os 39 anos. A ambivalência cresce. Do outro lado do Atlântico, a Argentina regista uma queda de 31% na população de 3 a 5 anos entre 2016 e 2025, de acordo com o Indec. A redução, projetada para mais 16% até 2030, pode permitir que a cobertura do ensino inicial chegue a 98% em 2027, aproveitando vagas ociosas. No Brasil, os dados da PNAD Educação 2025 mostram um país onde 21,4% dos adultos têm diploma superior, mas 25,6% não completaram o ensino fundamental. A fecundidade mais baixa abre brechas para políticas públicas, mas os desafios de qualidade e equidade persistem.

Por trás das projeções demográficas, há um lento rearranjo de prioridades. A investigação suíça indica que, na balança da decisão de ter filhos, o amor e a liberdade pesam mais do que as finanças ou a carreira. A maternidade deixa de ser um destino biográfico obrigatório para se tornar uma entre muitas possibilidades de realização. Enquanto recenseadores indianos concluem o primeiro censo digital do país, contando uma população de 1,46 mil milhões, histórias como a de Sharon Michael multiplicam-se em silêncio, redesenhando o perfil das sociedades sem alarde. As salas de jardim de infância que se esvaziam em Buenos Aires talvez sejam o símbolo mais concreto de uma transformação que começa no íntimo de cada projeto de vida.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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India's demographic narrative shifts from population explosion to below-replacement fertility, with the census now focused on counting a vast population and understanding the implications of declining birth rates. The tone is factual, emphasizing data collection and long-term planning. This blocs frames the issue as a logistical and national challenge rather than a personal one.

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scetticismodistacco

Young Indians are increasingly choosing to delay or forgo motherhood due to career aspirations and personal freedom, with individual stories highlighting the rational weighing of parenthood against autonomy. The narrative is sympathetic to these personal choices, framing them as a natural response to changing economic and social realities. The bloc focuses on emotional and qualitative aspects rather than macro statistics.

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Menos filhos, outras ambições: como o mundo repensa a parentalidade

De Mumbai a Buenos Aires, a taxa de fecundidade cai e cresce o número de mulheres que adiam ou rejeitam a maternidade, num rearranjo silencioso de prioridades.

Aos 30 anos, Sharon Michael sentiu que a maternidade não teria lugar na sua vida. Não foi uma decisão repentina, mas uma constatação que se sedimentou ao longo dos anos, entre a carreira no setor empresarial e uma pausa para concluir um MBA. “Ter filhos nunca foi uma prioridade”, diz, aos 36. O diagnóstico de síndrome de ovário policístico apenas reforçou a escolha. “Não vejo esse estilo de vida a encaixar-se com uma criança, não faria justiça a nenhum dos dois.” A hesitação de Michael ecoa um fenómeno que atravessa continentes.

Na Índia, o país mais populoso do mundo, a taxa de fecundidade caiu para 1,9 filhos por mulher, abaixo do nível de reposição de 2,1, segundo o relatório do Sistema de Registo de Amostras de 2024. Em Nova Deli, o índice já é de 1,2. Para um país que, nos anos 1990, promovia o slogan “Hum Do, Hamare Do” (nós dois, nossos dois), a transformação é notável. A queda, diferentemente da China, deu-se sobretudo por escolhas voluntárias, impulsionadas pela urbanização, pelo acesso à contraceção e pela maior escolaridade feminina. Sejal Chaturvedi, bancária de 34 anos, casada há dois, ama crianças mas não se sente pronta. “É uma enorme responsabilidade, trabalho, tempo e investimento emocional”, explica. Shaili Kaushik, mãe aos 37, sublinha que só o fez quando se sentiu verdadeiramente preparada. “Não deveria haver pressão sobre ninguém para ter filhos.”

Na Suíça, a taxa de natalidade recuou para 1,28 filhos por mulher em 2025, e a idade média das mães alcançou os 32,5 anos. Um estudo da Universidade de Zurique revelou que a parcela de jovens que optam deliberadamente por não ter filhos duplicou numa década, passando de 7% para 16% entre os 20 e os 39 anos. A ambivalência cresce. Do outro lado do Atlântico, a Argentina regista uma queda de 31% na população de 3 a 5 anos entre 2016 e 2025, de acordo com o Indec. A redução, projetada para mais 16% até 2030, pode permitir que a cobertura do ensino inicial chegue a 98% em 2027, aproveitando vagas ociosas. No Brasil, os dados da PNAD Educação 2025 mostram um país onde 21,4% dos adultos têm diploma superior, mas 25,6% não completaram o ensino fundamental. A fecundidade mais baixa abre brechas para políticas públicas, mas os desafios de qualidade e equidade persistem.

Por trás das projeções demográficas, há um lento rearranjo de prioridades. A investigação suíça indica que, na balança da decisão de ter filhos, o amor e a liberdade pesam mais do que as finanças ou a carreira. A maternidade deixa de ser um destino biográfico obrigatório para se tornar uma entre muitas possibilidades de realização. Enquanto recenseadores indianos concluem o primeiro censo digital do país, contando uma população de 1,46 mil milhões, histórias como a de Sharon Michael multiplicam-se em silêncio, redesenhando o perfil das sociedades sem alarde. As salas de jardim de infância que se esvaziam em Buenos Aires talvez sejam o símbolo mais concreto de uma transformação que começa no íntimo de cada projeto de vida.

Divergência das fontes

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Quanto as fontes relatam os mesmos fatos de maneira diferente.

Como se dividem

Favorável17%
Neutro83%

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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India's demographic narrative shifts from population explosion to below-replacement fertility, with the census now focused on counting a vast population and understanding the implications of declining birth rates. The tone is factual, emphasizing data collection and long-term planning. This blocs frames the issue as a logistical and national challenge rather than a personal one.

Stampa atlantica / anglosfera
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Young Indians are increasingly choosing to delay or forgo motherhood due to career aspirations and personal freedom, with individual stories highlighting the rational weighing of parenthood against autonomy. The narrative is sympathetic to these personal choices, framing them as a natural response to changing economic and social realities. The bloc focuses on emotional and qualitative aspects rather than macro statistics.

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