
Mbappé lamenta despedida 'falhada' de Deschamps após derrota frenética com Inglaterra
França perdeu por 6-4 o jogo do terceiro lugar do Mundial 2026, no último jogo de Didier Deschamps, e o capitão admitiu que a equipa não lhe deu o final merecido.
O adeus de Didier Deschamps ao comando da seleção francesa teve contornos de drama e frustração. No Hard Rock Stadium, em Miami, a França foi derrotada pela Inglaterra por 6-4 na disputa pelo terceiro lugar do Mundial de 2026, num jogo em que os bleus foram varridos na primeira parte (4-0 ao intervalo) para depois esboçarem uma recuperação que ficou incompleta. Kylian Mbappé, com dois golos, liderou a reação que reduziu a desvantagem para 4-3, mas um penálti de Bukayo Saka e um golo de Jude Bellingham no período de descontos selaram o resultado e a quarta posição francesa.
Horas antes do apito inicial, Mbappé publicara uma carta aberta de homenagem ao treinador que o lançou na seleção em 2017. 'Deveríamos ter-te oferecido um final melhor, mas falhámos', escreveu o capitão, acrescentando que 'a gente nem sempre soube apreciar a tua grandeza, mas o tempo e a história tratarão disso'. Após o jogo, o avançado do Real Madrid reforçou que 'este jogo não vai manchar o legado de Didier Deschamps', ainda que admitisse que a primeira parte dera a impressão de que a equipa o tinha 'deixado ficar mal'. Mbappé terminou o torneio com 10 golos, conquistando a Bota de Ouro e ultrapassando o total mundialista de Lionel Messi.
Deschamps encerra um ciclo de 14 anos em que devolveu a França ao topo do futebol mundial. Campeão do mundo em 2018, vice-campeão em 2022 e finalista do Euro 2016, o antigo médio defensivo tornou-se o terceiro homem a vencer o Mundial como jogador e treinador, a par de Mário Zagallo e Franz Beckenbauer. Na perspetiva de analistas brasileiros, o legado do técnico é inquestionável: 20 vitórias em Mundiais, um recorde entre treinadores, e uma presença constante nas fases decisivas das grandes competições. A imprensa francesa, contudo, recorda que o seu estilo pragmático foi frequentemente criticado, mesmo quando os resultados lhe davam razão.
A sucessão está já encaminhada. O jornal L’Équipe noticiou que Zinedine Zidane, antigo companheiro de seleção de Deschamps, assinará contrato a 1 de setembro para assumir os bleus. A federação francesa terá assim o nome mais aguardado para dar continuidade a uma geração que, apesar do desaire em Miami, continua a ser uma das mais talentosas do planeta. Para já, o futebol francês despede-se de um treinador que, nas palavras do seu capitão, 'foi um ator maior do renascimento desta equipa'.
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | −0.30 | critical |
| Imprensa europeia continental | +0.20 | neutral |
A homenagem é um reconhecimento comedido do legado de Deschamps, focando nos fatos de seu mandato e no pesar da equipe.
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Deschamps não teve o final que merecia, e a falta de apreciação do público é uma vergonha.
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