
Líbano saúda memorando EUA-Irão e exige respeito pela sua soberania
Presidente libanês e líder parlamentar recebem garantias de Teerão sobre a inclusão de cláusula de cessar-fogo no entendimento bilateral, enquanto Israel mantém tom desafiante.
O Presidente libanês, Joseph Aoun, recebeu na noite de ontem um telefonema do ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, no qual saudou o memorando de entendimento alcançado entre o Irão e os Estados Unidos. A conversa, que se seguiu a um contacto semelhante com o presidente do Parlamento, Nabih Berri, centrou-se na inclusão de uma cláusula específica sobre o Líbano no texto acordado em Islamabade. Fontes em Teerão garantiram que, nas horas finais das negociações, foi inserida uma referência explícita ao "respeito pela integridade territorial e soberania do Líbano", desmentindo notícias que sugeriam a exclusão do país do entendimento.
A iniciativa diplomática iraniana surge num momento de acelerada movimentação regional. O acordo-quadro entre Washington e Teerão visa conter a escalada militar no Médio Oriente e prevê um período de negociação de 60 dias. Para Beirute, o ponto central é a exigência de que a cessação das hostilidades contra o Líbano entre em vigor "de imediato e durante toda a vigência das conversações", como sublinhou Araghchi a Berri. O chefe da diplomacia iraniana atribuiu aos Estados Unidos a responsabilidade de garantir o cumprimento deste compromisso, um sinal claro de que Teerão procura transferir para Washington o ónus de travar as ações israelitas.
Na perspetiva libanesa, o acolhimento foi cautelosamente positivo. O Presidente Aoun classificou o memorando como um passo encorajador para reduzir tensões e abrir caminho a soluções diplomáticas que reforcem a segurança regional e internacional. Contudo, fez questão de sublinhar que a estabilidade, a segurança e a soberania do Líbano permanecem uma "prioridade nacional", ecoando a preocupação de que o país não seja tratado como mero tabuleiro de negociações alheias. Nabih Berri agradeceu o apoio iraniano e de outros atores regionais, mas a desconfiança persiste, alimentada pelas declarações do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, que afirmou: "Não nos retiraremos do Líbano."
Observadores em Lisboa e Brasília, atentos à significativa diáspora libanesa nos países lusófonos, interpretam o episódio como um teste à capacidade de Washington impor limites a Telavive. A menção explícita ao Líbano no memorando, se confirmada na prática, poderá oferecer uma janela para aliviar a pressão sobre um Estado frágil, cuja recuperação económica depende de um ambiente de segurança estável. Contudo, a retórica de Netanyahu e a ambiguidade sobre os mecanismos de verificação mantêm o desfecho incerto.
O entendimento entre Irão e Estados Unidos representa uma rara convergência diplomática, mas a sua eficácia medir-se-á no terreno. Para o Líbano, a prioridade imediata é transformar as palavras em silêncio das armas, condição indispensável para que o país possa retomar o fôlego político e económico. A comunidade internacional, incluindo os parceiros lusófonos com laços históricos em Beirute, acompanha com expectativa contida os próximos passos de uma trégua que ainda precisa de ser conquistada.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A liderança libanesa saudou o memorando Irã-EUA, vendo-o como um passo positivo para reduzir tensões e abrir soluções diplomáticas que reforcem a segurança e a estabilidade. Sublinhou que a soberania, a segurança e a estabilidade do Líbano são uma prioridade nacional e que os esforços diplomáticos devem prosseguir para proteger os interesses libaneses num contexto regional difícil.
O presidente libanês Aoun salientou a necessidade de aproveitar a oportunidade disponível para travar a escalada e consolidar o cessar-fogo, abrindo caminho a novas negociações com os EUA e Israel. Apelou à unidade nacional e à consciência da delicadeza da fase, ao mesmo tempo que saudou o memorando Irã-EUA que inclui o Líbano.
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