
Keiko Fujimori nomeia Elmer Cuba para Economia e define núcleo do gabinete no Peru
Presidente eleita aposta em perfil técnico e pró-mercado para restaurar confiança e enfrentar efeitos do El Niño, enquanto anuncia primeiro-ministro e chanceler.
A presidente eleita do Peru, Keiko Fujimori, anunciou na segunda-feira o economista Elmer Cuba como futuro ministro da Economia e Finanças, a um dia de assumir o mandato de cinco anos. Foram também confirmados Luis Galarreta, vice-presidente e secretário-geral do partido Fuerza Popular, como primeiro-ministro, e Carlos Espá, ex-candidato presidencial, como ministro das Relações Exteriores. Cuba, ex-diretor do Banco Central de Reserva entre 2016 e 2021 e sócio da consultora Macroconsult, é descrito por fontes em Lima como um tecnocrata com trânsito nos setores público e privado, cuja nomeação sinaliza continuidade na política macroeconómica.
Na sua primeira declaração, Cuba afirmou que o país alcançou estabilidade, inflação baixa e solvência fiscal, mas que a população ainda não sentiu esses ganhos nos salários e no bem-estar. Comprometeu-se a realizar reformas económicas “que o Peru espera há todo o século”, com ênfase no encerramento de brechas de infraestrutura, no combate à corrupção e na revisão de normas aprovadas pelo Congresso anterior que, segundo alertas do Conselho Fiscal, podem comprometer a solidez das contas públicas. O futuro ministro evitou antecipar medidas sobre o salário mínimo, limitando-se a dizer que o tema está “sempre em avaliação”.
Na perspetiva de Brasília, a escolha de um perfil ortodoxo para a pasta económica é observada com interesse, dado o peso do Peru como terceiro produtor mundial de cobre e a relevância da estabilidade andina para os fluxos de investimento na região. Observadores em Lisboa notam que a presença de Carlos Espá na diplomacia — ex-funcionário da embaixada dos EUA em Lima — indica uma prioridade estratégica na relação com Washington, num momento em que a China se consolida como principal parceiro comercial do país. A tomada de posse contará com a presença de chefes de Estado como Javier Milei, Daniel Noboa e o rei Felipe VI de Espanha, além do presidente chileno José Antonio Kast, que viaja acompanhado do ex-presidente Eduardo Frei Ruiz-Tagle, designado embaixador especial.
O novo governo herda uma economia que o banco central projeta crescer 3,4% em 2026, mas que enfrenta os efeitos do fenómeno climático El Niño, com impacto severo na pesca e na agricultura e estado de emergência decretado em quase 40% dos distritos. A primeira reunião do conselho de ministros está marcada para a manhã de quarta-feira, após a cerimónia de posse e o desfile militar do Dia da Independência. O Congresso bicameral, instalado no domingo com o fujimorista Miguel Torres na presidência do Senado, será o palco onde o novo Executivo terá de negociar as reformas prometidas e a revisão das leis com impacto fiscal.
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