
Tribunal de Seul confirma partilha de 944 mil milhões de wons no 'divórcio do século' sul-coreano
A decisão, ainda passível de recurso, reduz o montante anterior e reflecte o contributo da ex-mulher na valorização do grupo SK, impulsionado pela inteligência artificial.
A Alta Corte de Seul determinou, esta sexta-feira, que o presidente do grupo SK, Chey Tae-won, pague 944 mil milhões de wons (cerca de 566 milhões de euros) à ex-mulher, Roh Soh-yeong, na divisão de bens do casal. O valor, embora inferior aos 1,38 biliões de wons fixados em 2024 e depois revertidos pelo Supremo Tribunal, constitui a maior indemnização por divórcio de sempre na Coreia do Sul, segundo a imprensa local.
Na fundamentação, o tribunal considerou que as acções do presidente da SK — cujo valor mais do que duplicou nos últimos anos, impulsionado pelo crescimento explosivo do fabricante de semicondutores SK Hynix — foram adquiridas durante o matrimónio e que ambos os cônjuges contribuíram para a sua valorização. A sentença reconhece que Roh, além das tarefas domésticas e da educação dos três filhos, teve um papel activo nas actividades externas do grupo.
Os advogados de Chey manifestaram ‘pesar pela preocupação causada’ e reservaram para mais tarde a decisão sobre recorrer para o Supremo. O caso remonta a 2015, quando o empresário admitiu publicamente uma relação extraconjugal da qual nasceu um filho, precipitando o fim do casamento celebrado em 1988 na Casa Azul, a presidência sul-coreana — Roh é filha do antigo presidente Roh Tae-woo. Em 2024, o tribunal de primeira instância tinha atribuído 1,38 biliões de wons, valor que incluía alegados fundos ilícitos disponibilizados pelo sogro; o Supremo, contudo, considerou que esses fundos não podiam ser contabilizados como contributo legal para o crescimento da empresa, forçando a revisão agora concluída.
A decisão reacendeu o escrutínio sobre a participação de 17,9% de Chey na holding SK Inc. e sobre os mecanismos de financiamento do pagamento — em dinheiro ou acções —, num momento em que a SK Hynix se tornou peça-chave da cadeia de abastecimento de chips de inteligência artificial, fornecendo à Nvidia e superando recentemente a capitalização de um bilião de dólares. As acções da SK Inc. caíram quase 4% na sessão de sexta-feira, mas acumulam uma valorização superior a 140% desde o início de 2026, reflectindo a euforia global com a IA. Observadores em Hong Kong e Seul notam que o desfecho poderá influenciar a governação corporativa dos chaebol, os conglomerados familiares que dominam a economia sul-coreana.
O processo pode ainda prolongar-se: tanto Chey como Roh têm a possibilidade de recorrer para o Supremo Tribunal, e a indemnização agora fixada não é definitiva. A SK Group, segundo maior chaebol do país, atrás da Samsung, vê assim o seu futuro imediato marcado por uma das mais mediáticas batalhas judiciais da história recente da Coreia do Sul, num contexto em que a pujança tecnológica contrasta com tensões familiares herdadas de décadas de alianças entre poder político e industrial.
| Imprensa europeia continental | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.20 | neutral |
| Imprensa chinesa | 0.00 | neutral |
The Seoul High Court issued a historic ruling reducing the initial claim and imposing a record payment.
The bloc turns the story into an objective legal fact, prioritizing procedural details and the sum over personal circumstances.
It omits the extramarital affair and the child, which could have moralized the narrative.
Chey Tae-won, enriched by the AI boom, must pay a huge sum to his ex-wife after a legal battle marked by infidelity.
The bloc links the wealth increase to the AI boom to suggest the billionaire benefited from favorable conditions, while the divorce threatens his fortune.
It does not mention the reduction from the initial 1.38 trillion won ruling, which would have downplayed the defeat.
The merging of two Korean dynasties ends with a record divorce that seals the division of an economic empire.
The bloc elevates the private matter to a national historic event, using dynasty and power-balance language to universalize the conflict.
It omits legal details and the reduction of the claim, which would have made the ruling less epic.
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