
Israel prossegue ataques no Líbano e desafia acordo EUA-Irão
Apesar do pacto mediado pelo Paquistão e das críticas de Trump, Telavive mantém operações no sul libanês, ameaçando o cessar-fogo e elevando a tensão com Teerão.
Na madrugada de quarta-feira, as forças israelitas lançaram novos ataques aéreos e de artilharia contra várias localidades do sul do Líbano, incluindo Nabatieh al-Fawqa, Kfar Tebnit e Ansariyeh, desafiando o acordo de paz anunciado dois dias antes entre Washington e Teerão. A agência noticiosa estatal libanesa reportou que, apesar de uma redução geral da violência, os bombardeamentos persistiram, elevando para pelo menos cinco o número de mortos desde a assinatura do memorando. A incursão terrestre israelita em direção a Hadatha e o lançamento de mais de dez rockets pelo Hezbollah contra tropas em Kfartebnit sublinham a fragilidade do cessar-fogo implícito no entendimento diplomático.
O acordo, mediado pelo Paquistão e ainda não divulgado na íntegra, prevê o fim das hostilidades em várias frentes, incluindo o Líbano, e permitirá a venda imediata de petróleo iraniano. Contudo, na cimeira do G7 em Évian, o presidente Donald Trump criticou abertamente o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, exigindo que fosse “mais responsável” em relação ao Líbano e classificando como “louca” a conduta israelita. Trump afirmou que Israel “combate o Hezbollah há demasiado tempo e demasiadas pessoas estão a morrer”, num tom que marca uma viragem na relação com o aliado histórico. Teerão, por seu lado, reiterou que o acordo deve incluir o fim dos ataques ao Líbano e ameaçou com uma “resposta severa” caso prossigam.
Na perspetiva de Brasília, a instabilidade no Médio Oriente é observada com preocupação, dado o potencial impacto nos preços globais do petróleo, setor estratégico para a economia brasileira. Observadores em Lisboa notam que a União Europeia, já a braços com crises energéticas, vê com alarme a possibilidade de um colapso do acordo, que poderia reacender a escalada militar e perturbar o fornecimento de crude. Em Luanda e Maputo, a volatilidade dos mercados petrolíferos é igualmente monitorizada, pois afeta as receitas de exportação dos países africanos lusófonos.
Apesar das advertências, Israel sinaliza que pretende manter uma presença prolongada no terreno, segundo a imprensa israelita, o que contradiz o espírito do memorando. Trump, que enfrenta pressões internas devido à impopularidade da guerra e ao aumento dos preços dos combustíveis, avisou que o acordo não é definitivo e que poderá reanudar ataques se Teerão “não se portar bem”. A tensão entre a Casa Branca e Telavive expõe fissuras numa aliança até agora sólida, enquanto o Hezbollah continua a responder militarmente, bloqueando o avanço de blindados israelitas.
O destino do acordo depende agora da capacidade de Washington impor contenção a Israel e de Teerão manter a paciência estratégica. A comunidade internacional, com os olhos postos no frágil equilíbrio regional, aguarda sinais de que o memorando possa transformar-se num cessar-fogo duradouro, mas os acontecimentos no terreno sugerem que a paz ainda está longe de ser consolidada.
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Apesar do acordo EUA-Irã e das críticas de Trump, Israel continua a atacar o sul do Líbano, matando civis e deslocando mais de um milhão. A imprensa árabe destaca o número de mortos e acusa Israel de violar o acordo e ameaçar a paz frágil.
Trump repreende Netanyahu no G7, pedindo mais responsabilidade no Líbano enquanto promove o acordo com o Irã. Os ataques israelenses continuam apesar do pacto, mas os detalhes permanecem secretos. O foco está na tensão diplomática e no futuro incerto do acordo.
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