
Israel desafia acordo EUA-Irão e mantém operações militares no sul do Líbano
Ataque com drone matou pelo menos uma pessoa em Kfartebnit horas após a assinatura do memorando de entendimento, enquanto Telavive insiste em manter a sua zona de segurança.
Horas depois de Washington e Teerão terem assinado um memorando de entendimento para pôr fim à guerra no Médio Oriente, incluindo no Líbano, um drone israelita atingiu um automóvel na localidade de Kfartebnit, matando pelo menos uma pessoa e ferindo gravemente outra. O ataque, confirmado pela agência noticiosa estatal libanesa, foi seguido de um segundo bombardeamento contra a povoação de Haddatha, enquanto o exército israelita anunciava que continuará a operar no sul do Líbano para “eliminar ameaças” mesmo para além da zona de segurança que declarou unilateralmente.
O acordo entre os Estados Unidos e o Irão, alcançado na quarta-feira, prevê a cessação das hostilidades em todas as frentes e a retirada total das forças israelitas do território libanês. Contudo, Telavive publicou um mapa daquilo que designa como “zona de segurança” — uma faixa de cerca de dez quilómetros dentro do Líbano — e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que as tropas não se retirarão enquanto as necessidades de segurança de Israel o exigirem. “Restauraremos a segurança no norte e isso requer a manutenção da faixa de segurança no sul do Líbano”, declarou Netanyahu, numa escalada retórica que contrasta com o frágil entendimento diplomático entre Washington e Teerão.
O ataque israelita em Kfartebnit, próximo da chamada “linha amarela” que delimita a zona de segurança, ocorreu num contexto de violência que, embora tenha diminuído desde o anúncio do acordo, continua a produzir vítimas. Além do civil morto e dos feridos libaneses, o exército israelita confirmou a morte do sargento-morAlekandr Filin, de 29 anos, e sete outros soldados feridos num incidente ocorrido na noite anterior no sul do Líbano. A imprensa colombiana reportou ainda um ataque contra uma residência em Yahoun, que deixou dois civis feridos, sublinhando que Israel “ignorou os esforços de paz” entre o seu aliado norte-americano e o vizinho iraniano.
Observadores em Lisboa e Brasília acompanham com apreensão o agravamento da tensão, que põe em risco um entendimento diplomático já de si precário. Para Portugal, membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU, a insistência israelita em manter operações militares além-fronteiras desafia os apelos ao cessar-fogo integral. No Brasil, onde reside a maior diáspora libanesa da América Latina, a comunidade acompanha com angústia cada novo episódio de violência, temendo uma nova espiral de destruição semelhante à que já causou quase quatro mil mortos e mais de onze mil feridos desde o início do conflito.
A sobreposição de narrativas — um acordo de paz assinado e uma potência militar que se recusa a acatá-lo — coloca o Líbano no centro de um impasse perigoso. A zona de segurança declarada por Israel não tem reconhecimento internacional e a sua imposição pela força pode minar a credibilidade do memorando EUA-Irão, que já enfrenta cepticismo em várias capitais. Se Telavive persistir em operações para além dessa faixa, o risco de reacendimento dos combates com o Hezbollah e de um colapso do frágil entendimento regional torna-se cada vez mais concreto, adiando a estabilização de uma fronteira que há décadas permanece em chamas.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Apesar do acordo de paz entre EUA e Irã, um ataque de drone israelense matou uma pessoa no sul do Líbano. Israel anunciou que continuará as operações militares na área, enquanto também relatou a morte de um soldado. O ataque levanta dúvidas sobre a implementação do cessar-fogo.
Israel se recusa teimosamente a retirar suas forças do sul do Líbano, insistindo em manter uma zona de segurança. O exército diz que continuará eliminando ameaças além da zona, desafiando o acordo de paz entre EUA e Irã.
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