
Irão suspende cumprimento do memorando com os EUA e acusa Washington de violar acordo
Teerão alega que os Estados Unidos desrespeitaram os termos do entendimento de Islamabad, enquanto prosseguem os ataques mútuos e o conflito se alastra a países vizinhos.
O Irão anunciou no sábado a suspensão de todos os seus compromissos no âmbito do memorando de entendimento assinado com os Estados Unidos em junho, em Islamabad. O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi, afirmou que Washington “violou e suspendeu todos os seus compromissos” e que Teerão, em resposta, deixou de aplicar o acordo, concentrando-se agora na “defesa decisiva” do país. A decisão foi comunicada pela televisão estatal e por agências noticiosas iranianas, num momento de intensificação dos confrontos.
De acordo com o Comando Central das Forças Armadas dos EUA (CENTCOM), as forças americanas realizaram, na noite de 17 para 18 de julho, a sétima vaga consecutiva de ataques contra alvos militares e infraestruturas no sul do Irão, incluindo centrais elétricas, pontes e estações de dessalinização. Washington justifica as operações como resposta a ataques iranianos a navios comerciais no Estreito de Ormuz e afirma pretender “degradar a capacidade do Irão de ameaçar a navegação”. O presidente Donald Trump declarou, dias antes, que o cessar-fogo “já acabou” e que negociar com Teerão é “uma perda de tempo”. Dois soldados norte-americanos foram mortos em ataques atribuídos ao Irão na Jordânia, elevando para 16 o total de baixas militares dos EUA desde o início do conflito, segundo fontes oficiais americanas.
A retaliação iraniana estendeu-se a bases e instalações dos EUA e dos seus aliados no Golfo. O Corpo de Guardas da Revolução Islâmica reivindicou a destruição de um centro de comunicações militar americano no Kuwait e de uma estrutura de radar na base aérea de Ali Al Salem, além de ataques com drones contra uma base no Bahrein. O aeroporto internacional do Kuwait suspendeu operações devido à ameaça de mísseis e drones, e uma instalação petrolífera da Kuwait Petroleum Corporation foi atingida, causando danos significativos. O Ministério da Saúde iraniano contabiliza 50 mortos e mais de 500 feridos em território iraniano desde o recomeço dos bombardeamentos americanos, a 27 de junho.
O memorando de Islamabad, mediado pelo Paquistão e assinado a 18 de junho, previa a abertura do Estreito de Ormuz e o início de negociações para um acordo de paz definitivo no prazo de 60 dias. Contudo, divergências sobre o artigo 5.º — que Teerão interpretava como uma atribuição temporária do controlo do tráfego marítimo no estreito, enquanto Washington o via como um compromisso de passagem segura — minaram o entendimento. O líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, classificou a assinatura de Trump como “sem valor” e acusou os EUA de “bullying e barbárie”. Na perspetiva de analistas em Lisboa, o colapso do acordo agrava a instabilidade numa via marítima por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial, com potenciais repercussões nos preços da energia. Não há, até ao momento, qualquer sinal de retoma dos canais diplomáticos, e a comunidade internacional observa com apreensão a escalada.
| Imprensa iraniana e afins | −0.80 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa russa e CEI | −0.30 | critical |
| Imprensa europeia continental | 0.00 | neutral |
| Imprensa israelense | +0.10 | neutral |
O Irã fala com a voz do regime: os Estados Unidos são o agressor, Teerã é a vítima que se defende.
Utiliza a técnica de 'vitimização histórica' invocando o precedente do JCPOA para demonstrar um padrão de falta de confiabilidade americana.
Omite qualquer menção a ataques militares iranianos ou ações agressivas que possam justificar as respostas dos EUA.
A Rússia projeta a narrativa iraniana como legítima, enfatizando as violações dos EUA.
Reprojeção da justificativa iraniana sem contraponto, normalizando a suspensão como uma reação proporcional.
Omite qualquer crítica ao Irã ou menção da perspectiva dos EUA sobre as violações.
A Europa observa com alarme a escalada, sem tomar partido entre as partes.
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Israel sinaliza agressão iraniana, destacando a ampliação dos ataques.
Seleciona e coloca em primeiro plano a ação militar iraniana, sugerindo que a suspensão faz parte de uma estratégia ofensiva.
Omite a justificativa detalhada do Irã e as violações dos EUA que levaram à suspensão.
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