
Irão pode fechar Ormuz quando quiser, avaliam serviços secretos dos EUA
Apesar do acordo-quadro para reabrir a via, Teerão adquiriu capacidade de bloquear o estreito e planeia expandir a estratégia ao Bab-el-Mandeb, com impacto global.
As agências de informação norte-americanas concluíram que o Irão adquiriu a capacidade de encerrar eficazmente o Estreito de Ormuz a qualquer momento, um poder estratégico que não possuía antes do recente conflito com Israel e os Estados Unidos. A avaliação, conhecida através de fontes anónimas citadas pela imprensa internacional, sublinha que Teerão demonstrou simultaneamente a intenção e os meios para estrangular a passagem por onde transita cerca de um quinto do abastecimento mundial de petróleo e gás natural liquefeito. Mesmo com a assinatura iminente de um memorando-quadro para reabrir a via marítima e retomar as negociações nucleares, os analistas americanos consideram que o regime dispõe agora de um instrumento de coerção económica mais potente do que qualquer bomba atómica.
A guerra, que opôs os Estados Unidos e Israel ao Irão, alterou profundamente o equilíbrio de forças no Golfo Pérsico. Durante as hostilidades, Teerão provou que consegue semear minas submarinas, mobilizar embarcações rápidas e perturbar o tráfego de petroleiros de forma a tornar o estreito intransitável, infligindo danos severos à economia global. O acordo-quadro que Washington e Teerão se preparam para formalizar prevê a reabertura da via, mas as avaliações dos serviços secretos indicam que o Irão mantém intacto o arsenal necessário para repetir o bloqueio sempre que considerar vantajoso, transformando o controlo do estreito numa alavanca permanente.
Para o mundo lusófono, as implicações são profundas. Na perspetiva de Brasília, um novo fecho de Ormuz dispararia os preços do crude e dos combustíveis, pressionando a inflação e a retoma económica brasileira, além de perturbar as cadeias de abastecimento de fertilizantes e produtos petroquímicos essenciais ao agronegócio. Em Lisboa, observadores notam que a dependência energética externa de Portugal torna o país particularmente vulnerável a choques nos mercados internacionais, com efeitos em cascata sobre os custos de transporte e a competitividade das exportações. Já para as economias lusófonas africanas produtoras de hidrocarbonetos, como Angola, a subida dos preços do barril poderia gerar receitas extraordinárias, mas a instabilidade nos estreitos estratégicos também ameaça as rotas de exportação e encarece os fretes, num cenário de incerteza que afeta igualmente os projetos de gás natural em Moçambique.
Os relatos de inteligência indicam ainda que o Irão planeia alargar a sua capacidade de disrupção ao Estreito de Bab-el-Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico, com o apoio dos rebeldes Houthis no Iémen. Esta extensão geográfica da ameaça, a concretizar-se, duplicaria os pontos de estrangulamento marítimo sob influência iraniana, com consequências ainda mais severas para o comércio mundial. Apesar das promessas de um acordo-quadro, a avaliação americana deixa claro que a guerra legou a Teerão um novo e duradouro instrumento de pressão, cuja mera existência altera o cálculo estratégico no Médio Oriente e obriga as potências globais a repensar a segurança das rotas energéticas que sustentam a economia lusófona e mundial.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A guerra de Trump deu ao Irã uma nova arma estratégica: a capacidade comprovada de fechar Ormuz quando quiser, ameaçando os fluxos energéticos globais. Apesar de um acordo iminente, nada impede Teerã de usar novamente essa alavanca, e já há planos para estender o bloqueio ao Mar Vermelho com apoio dos houthis.
Segundo a inteligência americana, o acordo com Washington entregou de fato ao Irã o controle do Estreito de Ormuz, uma arma mais poderosa do que qualquer bomba nuclear. Teerã agora pode fechar a passagem quando quiser, adquirindo uma nova e imensa capacidade de prejudicar a economia global.
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