
Irão executa dois manifestantes e acelera pena de morte após trégua com Washington
Apesar do cessar-fogo com os EUA, Teerão executou dois jovens detidos nos protestos de janeiro, elevando para 746 o número de execuções em 2026, enquanto ativistas alertam para novas sentenças iminentes.
O regime iraniano executou na madrugada de terça-feira Javad Zamani e Abolfazl Saedi, dois manifestantes detidos nos protestos de dezembro e janeiro em Shahrud. A decisão, anunciada pela agência judicial Mizan, ocorre dias após o cessar-fogo entre Teerão e Washington que encerrou 40 dias de guerra. As autoridades acusaram os jovens de “moharebeh” e “corrupção na Terra”, alegando que lideraram ataques armados contra bancos e edifícios públicos, agindo como “infantaria do inimigo” alinhada com objetivos “americano-sionistas”. Trata-se da primeira execução de presos políticos após a trégua, sinalizando que a distensão externa não travou a repressão interna.
A campanha “Terças-feiras contra a Execução” denunciou o aumento das sentenças capitais como “tentativa desesperada” de conter a fúria popular. A Fundação Borumand documentou 746 execuções desde o início de 2026, 45 delas de presos políticos ou manifestantes, muitas baseadas em confissões sob tortura. Só nas duas semanas anteriores, registaram-se 52 casos. A fundação sublinha que a maioria das condenações por crimes comuns é proferida na invisibilidade, sem defesa adequada.
A Amnistia Internacional alertou para o risco de execução iminente de Ali Fattah e Mohammad Naghizadeh, transferidos para a prisão de Ghezel Hesar após confirmação das sentenças pelo Supremo Tribunal. A organização pediu a suspensão imediata dos planos de execução, lembrando que ambos foram condenados no contexto dos mesmos protestos. O ativista Alireza Peyghambari também foi transferido para aquela unidade, aumentando os receios de uma nova vaga.
Na perspetiva de Brasília, o recurso sistemático à pena de morte contrasta com a tradição abolicionista brasileira e reforça o isolamento do Irão em fóruns da ONU. Observadores em Lisboa notam que a União Europeia mantém sanções contra responsáveis iranianos por violações de direitos humanos, mas a eficácia é limitada quando a prioridade diplomática se desloca para a estabilização militar. Nos países lusófonos africanos, onde a pena capital foi abolida ou caiu em desuso, a escalada repressiva é acompanhada com apreensão por organizações da sociedade civil.
Analistas avaliam que a aceleração das execuções, mesmo após o cessar-fogo, revela uma estratégia de consolidação interna do regime, que procura desmobilizar a contestação aproveitando a distração internacional. A retórica oficial que classifica manifestantes como peões estrangeiros legitima a violência judicial, mas pode minar a credibilidade de Teerão nas negociações. Enquanto as sentenças se basearem em confissões forçadas e julgamentos sumários, a comunidade internacional enfrenta o dilema de condenar as execuções sem pôr em causa os frágeis canais de diálogo recém-abertos.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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No Irã, a série de execuções acelera: mais dois manifestantes foram enforcados em Shahroud, elevando para pelo menos 45 as execuções políticas este ano. Organizações de direitos humanos documentaram 746 execuções em seis meses, 52 apenas nas últimas duas semanas, enquanto o regime intensifica a repressão em meio à guerra e aos protestos.
O judiciário anunciou a execução de dois líderes armados da tentativa de golpe de janeiro de 2026 em Shahroud. Condenados por moharebeh e efsad fel-arz, eles atacaram bens públicos e conspiraram contra a segurança nacional, servindo como soldados de infantaria do inimigo.
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