
Irão alerta que ataques israelitas ao Líbano violam memorando com Washington
Teerão condiciona a eficácia do acordo interino assinado com os EUA ao fim imediato da guerra no Líbano e à retirada das tropas israelitas, enquanto prepara nova ronda negocial na Suíça sobre o nuclear.
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, afirmou esta terça-feira que qualquer ataque militar israelita ao Líbano ou a continuação da presença de tropas de Telavive em território libanês constituem uma violação direta do memorando de entendimento assinado entre Teerão e Washington. A declaração, feita perante embaixadores e chefes de missão estrangeiros na capital iraniana, surgiu horas depois de Araghchi ter mantido conversas telefónicas com o presidente libanês, Joseph Aoun, e com o líder do Parlamento, Nabih Berri, nas quais detalhou as cláusulas do acordo e sublinhou que os Estados Unidos têm a responsabilidade de garantir o fim completo das agressões israelitas.
Na perspetiva iraniana, o memorando interino não envolve apenas Teerão e Washington. “Do nosso ponto de vista, as duas partes deste memorando são os Estados Unidos e Israel, de um lado, e o Irão e o Hezbollah, do outro”, declarou Araghchi, citado pela imprensa estatal. Esta formulação invulgar revela a centralidade que o dossier libanês ocupa no entendimento preliminar, cuja primeira fase se concentra precisamente na cessação imediata e permanente das hostilidades em todas as frentes. O acordo, que será formalizado numa nova ronda de conversações na Suíça na próxima sexta-feira, prevê uma segunda etapa de negociações ao longo de 60 dias, dedicada a questões nucleares e ao alívio de sanções.
Em Washington, o ceticismo mantém-se. Apesar de o presidente Donald Trump ter garantido que o Irão se comprometeu a “nunca ter uma arma nuclear”, altos funcionários norte-americanos questionam a real disposição de Teerão em cumprir o quadro acordado. O vice-presidente J.D. Vance descreveu o documento como “muito geral”, enquanto analistas em Lisboa notam que a inclusão tácita do Hezbollah como parte interessada pode gerar resistências no Congresso dos EUA e entre os aliados regionais de Washington. Em Beirute, fontes próximas das lideranças libanesas acolheram as disposições do memorando, mas sublinham que a estabilidade do país depende de uma retirada israelita verificável e do fim da ocupação de territórios no sul.
A dimensão libanesa do acordo reflete a complexidade de uma região onde as linhas de conflito se sobrepõem. Para Teerão, a guerra no Líbano é “parte inseparável” do fim da guerra mais ampla, e o memorando serve de teste à credibilidade do compromisso americano. Observadores em Brasília avaliam que uma eventual desescalada no Levante teria impactos positivos nos mercados globais de energia, com reflexos nos preços dos combustíveis e na estabilidade das cadeias de abastecimento que afetam economias lusófonas, de Angola a Portugal. Contudo, a próxima ronda negocial na Suíça carrega o peso de conciliar garantias nucleares com a geopolítica de uma fronteira volátil, onde qualquer novo disparo israelita pode fazer ruir o frágil memorando.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A imprensa israelense enquadra o alerta iraniano como um movimento retórico ligado a um vago memorando com Washington. As reportagens destacam o ceticismo americano sobre a disposição de Teerã em cumprir e descrevem o documento como uma declaração genérica e não vinculativa. O foco permanece nas negociações nucleares e no potencial de o Irã explorar o acordo.
A mídia iraniana apresenta a declaração do chanceler como uma condição firme: qualquer agressão israelense no Líbano viola o memorando com os Estados Unidos. A narrativa enfatiza o compromisso do Irã em acabar com a guerra e responsabiliza Washington por conter Israel. O acordo é retratado como uma vitória diplomática que prioriza a paz no Líbano.
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