
Inflação argentina desacelera e núcleo cai abaixo de 2%, mas Nigéria e Indonésia enfrentam pressões distintas
Enquanto a Argentina celebra a menor inflação desde setembro e projeta novo recuo em junho, a Nigéria atinge o maior índice em seis meses e a Indonésia sente o impacto de combustíveis e passagens aéreas.
A inflação argentina de maio trouxe um marco há muito aguardado pelo governo de Javier Milei: o núcleo da inflação, que exclui preços sazonais e regulados, caiu para 1,9%, a primeira vez abaixo dos 2% em oito meses. O índice geral recuou para 2,1%, a segunda desaceleração consecutiva, e o ministro da Economia, Luis Caputo, destacou que ambos os indicadores atingiram os valores mais baixos desde setembro de 2025. Analistas em Buenos Aires atribuíram o resultado à estabilidade das carnes e a uma dinâmica mais contida nos preços livres, interpretando-o como um sinal de que a âncora fiscal e monetária começa a domar as expectativas.
As projeções para junho reforçam o otimismo cauteloso. Consultoras privadas estimam uma nova queda, com algumas a apontar para um valor abaixo dos 2% — há projeções de 1,9% —, impulsionada por aumentos moderados nos serviços regulados, como transportes e medicina pré-paga, e pela estabilidade nos alimentos, embora as carnes tenham registado alguma pressão altista. No entanto, os mesmos analistas advertem que os riscos se concentram a partir de julho, quando atualizações tarifárias, o preço dos combustíveis e a evolução da taxa de câmbio poderão reintroduzir tensões inflacionárias, testando a sustentabilidade da desinflação.
Na Nigéria, o quadro é mais ambivalente. A inflação homóloga subiu para 15,93% em maio, o nível mais alto desde dezembro, impulsionada pelo encarecimento de alimentos como milho, cebola e tomate. Contudo, a variação mensal recuou de 2,13% em abril para 1,75%, indicando que o ritmo de aumento dos preços está a moderar. Observadores em Lagos notam que esta dinâmica reflete choques de oferta agrícola persistentes, um padrão familiar em economias da África lusófona, como Angola e Moçambique, onde a carestia alimentar continua a pressionar os orçamentos familiares e a exigir respostas de política pública.
Na Indonésia, a inflação mensal de maio foi de 0,28%, com a variação homóloga a situar-se em 3,08%, influenciada por combustíveis não subsidiados, tarifas aéreas e óleo de cozinha. As autoridades de Jacarta sublinharam que a pressão foi inferior à do período do Idulfitri, mas os preços administrados permanecem um fator de risco. Já na Arábia Saudita, a inflação anual fixou-se em 1,8%, com a habitação, água e eletricidade a subirem 3,7% e os bens de cuidado pessoal a dispararem 20%, mostrando que mesmo em contextos de inflação moderada, choques setoriais podem gerar bolsas de pressão. Em perspetiva, o cenário global de maio revela trajetórias divergentes: enquanto a Argentina se aproxima de uma inflação mensal inferior a 2%, um marco psicológico para um país que conviveu com taxas de três dígitos, a Nigéria enfrenta o desafio de conter a escalada dos alimentos sem estrangular o crescimento. Para o leitor lusófono, o contraste é instrutivo: no Brasil, a inflação permanece acima da meta e em Portugal a convergência com a média europeia prossegue. Os próximos meses testarão a sustentabilidade da desinflação argentina e a resiliência das famílias nigerianas, enquanto Jacarta e Riade monitorizam choques setoriais.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A inflação núcleo na Argentina caiu abaixo de 2% pela primeira vez em oito meses, um número que tanto o governo quanto analistas privados veem como validação do plano econômico. As projeções para junho indicam mais desaceleração, com algumas estimativas já colocando a taxa mensal abaixo de 2%.
A inflação geral na Nigéria subiu para 15,93% em maio, o nível mais alto em seis meses, impulsionada pelos preços elevados de milho, cebola, tomate e outros alimentos básicos. O aumento reverte a tendência de queda anterior e levanta preocupações sobre o acesso aos alimentos.
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