
Singapura retoma liderança global em competitividade; Suíça cai para terceiro
Ranking do IMD mostra economias asiáticas no topo, América Latina em queda e transição energética mundial a perder fôlego, segundo o Fórum Económico Mundial.
Singapura regressou ao primeiro lugar do Índice Mundial de Competitividade 2026, divulgado esta quinta-feira pelo International Institute for Management Development (IMD), destronando a Suíça, que caiu para a terceira posição. Hong Kong subiu ao segundo posto, o seu melhor resultado em sete anos, e Taiwan alcançou um recorde histórico ao ocupar o quarto lugar, impulsionado pelo crescimento das exportações e do PIB. A nova configuração do pódio reforça o domínio asiático no ranking que avalia 70 economias com base no desempenho económico, eficiência governamental, eficiência empresarial e infraestrutura.
A queda helvética, de primeiro para terceiro, é atribuída ao enfraquecimento dos indicadores de desempenho económico, num contexto de tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos e de um franco forte que penalizou o investimento direto estrangeiro. A Alemanha também recuou quatro lugares, para a 23.ª posição, e a Dinamarca deslizou do quarto para o sexto posto. Em contraste, os Estados Unidos regressaram ao top 10, subindo de 13.º para 10.º, enquanto os Emirados Árabes Unidos se mantiveram em quinto. A Malásia protagonizou uma das maiores ascensões: saltou oito lugares para o 15.º posto, a melhor classificação em mais de uma década, reflexo das reformas governamentais e do fortalecimento dos quatro pilares avaliados.
Na América Latina, o cenário é de recuo generalizado. O México desceu sete posições, para o 62.º lugar, penalizado sobretudo pela fraca eficiência governamental e pelas deficiências em infraestrutura. A Colômbia caiu cinco lugares, para 59.º, e o Peru ficou em 60.º. O Brasil, única economia lusófona de grande dimensão no levantamento, ocupa a 65.ª posição, à frente apenas da Venezuela, que fecha a tabela no 70.º lugar. O Chile, em 43.º, continua a ser o país latino-americano mais bem classificado, mas a região como um todo vê aumentar a distância face às economias mais competitivas da Ásia e da Europa.
Paralelamente, o Índice de Transição Energética 2026 do Fórum Económico Mundial revelou uma estagnação preocupante. A média global de preparação para implementar energias limpas caiu 0,76% face a 2025, a maior queda em mais de uma década, situando-se em 57,3 pontos numa escala de zero a cem. O México recuou quatro lugares, para 59.º entre 120 países, enquanto o Brasil, não mencionado no topo da lista, integra um grupo de economias emergentes que enfrentam dificuldades em acelerar a descarbonização. Os países nórdicos e a Europa Ocidental continuam a liderar, com Suécia, Finlândia e Dinamarca nos primeiros lugares, mas o relatório alerta que o fluxo de recursos já não é suficiente para mover o planeta em direção a uma matriz menos poluente.
Observadores em Brasília notam que a dupla má notícia — perda de competitividade e lentidão na transição energética — acende alertas sobre a capacidade de atração de investimento e a resiliência da economia brasileira num mundo marcado por tensões geopolíticas e reconfiguração das cadeias de valor. Na perspetiva de Lisboa, a ausência de Portugal entre os primeiros lugares do ranking do IMD, embora não detalhada neste relatório, sugere que o país enfrenta desafios semelhantes aos de outras economias europeias de média dimensão, num momento em que a competitividade se torna cada vez mais dependente da eficiência digital e da estabilidade institucional. A mensagem transversal dos dois índices é clara: sem reformas estruturais e investimento sustentado, o fosso entre as economias mais ágeis e as restantes continuará a alargar-se.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Hong Kong brilha com um duplo sucesso: segundo lugar em competitividade global e duas universidades entre as vinte melhores do mundo pela primeira vez. O sistema educacional da cidade é o que mais melhorou na Ásia pelo segundo ano consecutivo, enquanto a economia mostra resiliência, atingindo o melhor nível em sete anos.
A Suíça perde a coroa da competitividade, caindo do primeiro para o terceiro lugar, enquanto Singapura retoma o topo e Hong Kong sobe para segundo. O declínio europeu é claro: a Alemanha também recua, prejudicada por conflitos comerciais e fraqueza econômica. Hong Kong avança pelo terceiro ano seguido, impulsionada por forte desempenho econômico.
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