
Acordo-quadro entre Líbano e Israel é assinado em Washington sob forte rejeição do Hezbollah
O pacto mediado pelos EUA prevê o desarmamento de grupos armados não estatais e a retirada faseada israelita, mas é contestado pelo partido-milícia e pelo Irão.
O Líbano e Israel assinaram na sexta-feira, em Washington, um acordo-quadro tripartido com a mediação dos Estados Unidos, que estabelece um processo faseado para pôr fim às hostilidades, desarmar grupos armados não estatais — com foco no Hezbollah — e permitir a retirada gradual das forças israelitas do sul do Líbano. A assinatura, que contou com a presença do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, foi imediatamente saudada por Paris e por capitais do Golfo, mas desencadeou uma vaga de contestação interna no Líbano, com o Hezbollah a classificá-la como “nula e sem validade” e a convocar manifestações em Beirute.
Na perspetiva de Telavive, o acordo representa um “acontecimento histórico” e uma “vitória estratégica” que isola o Irão. O ministro da Defesa israelita, Yoav Katz, afirmou que não haverá qualquer retirada antes do desarmamento total do Hezbollah em todo o território libanês, e que as tropas permanecerão numa “zona de segurança” no sul, incluindo a colina de Al-Chaqif. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu sublinhou que os Estados Unidos e o próprio Líbano reconheceram o direito de Israel a manter essa presença enquanto persistirem ameaças, e que o acordo enfraquece o “eixo iraniano”. Já o governo libanês, através do presidente Joseph Aoun e do primeiro-ministro Nawaf Salam, descreveu o texto como um primeiro passo para restaurar a soberania do Estado sobre todo o território e para o regresso dos deslocados.
A rejeição do Hezbollah, articulada pelo secretário-geral Naim Qassem, centra-se em três eixos: a subordinação da retirada israelita ao desarmamento da resistência, a ausência de um calendário claro de saída e a utilização de termos como “país” e “nação de Israel” no documento, que, na leitura do partido, equivale a um reconhecimento implícito do Estado israelita. Qassem defendeu que o único quadro legítimo é o memorando de entendimento assinado entre o Irão e os EUA na Suíça, que, segundo Teerão, garante a integridade territorial libanesa e um cessar-fogo imediato. Em paralelo, o exército libanês emitiu um comunicado a advertir que não permitirá “perturbações da segurança” ou bloqueios de estradas, numa alusão às mobilizações convocadas por apoiantes do Hezbollah. O patriarca maronita e outras forças políticas, como o Movimento Patriótico Livre, manifestaram reservas, exigindo que qualquer acordo respeite a Constituição e não conduza a divisões internas.
Na leitura de analistas em Washington, o acordo-quadro procura separar o dossiê libanês das negociações mais amplas entre Washington e Teerão, mas a sua implementação dependerá da capacidade do Estado libanês de impor o monopólio da força, algo que o Hezbollah rejeita liminarmente. A próxima etapa prevê a elaboração de um anexo de segurança e a criação de um grupo de coordenação militar tripartido, enquanto os Estados Unidos se comprometem a mobilizar apoio internacional para a reconstrução do Líbano. Contudo, a oposição interna e a insistência israelita em manter a presença militar até à verificação do desarmamento colocam o processo sob risco de paralisia, num momento em que a trégua frágil no sul permanece pontuada por incidentes esporádicos.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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The Arab Levant-Maghreb bloc presents the framework agreement between Lebanon and Israel as a positive step towards Lebanese sovereignty, highlighting French support and President Aoun's thanks to Trump. However, it also notes the Arab Parliament's rejection of Israeli attacks, maintaining a cautious tone. The agreement is seen as an opportunity for Israeli withdrawal and state monopoly on arms, but Hezbollah's rejection is not directly addressed.
The Iranian bloc completely ignores the Lebanon-Israel agreement, focusing instead on issues like the US attack on Iran and nuclear matters. This omission suggests a prioritization of Iranian national security and a reluctance to legitimize the US-mediated deal, seen as potentially harmful to Iranian interests in the region.
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