
Gesto racista contra influenciadora coreana no Mundial derruba dirigente mexicano
Ulises Fernando Bernal Miramontes, presidente de um colégio de engenheiros no México, foi destituído depois de um vídeo viral mostrar o gesto de puxar os olhos durante uma partida entre Coreia do Sul e República Checa.
A demissão sumária de Ulises Fernando Bernal Miramontes, até então presidente do Colégio Jalisciense de Engenheiros e Agrimensores, tornou-se o desfecho imediato de um episódio que manchou a celebração do futebol global. Durante o jogo entre Coreia do Sul e República Checa, em Guadalajara, a influenciadora sul-coreana Yoon Su-jin — conhecida nas redes como Ino Cat e seguida por cerca de nove milhões de pessoas — filmava a sua euforia quando Bernal, sentado atrás, encenou o gesto de puxar os cantos dos olhos enquanto ria. A imagem, carregada de historicidade racista contra asiáticos, viralizou em poucas horas e levou a associação mexicana a anunciar a destituição “oficial e direta” do responsável.
A indignação não se limitou à Coreia do Sul. Comentadores mexicanos repudiaram o ato em peso, sublinhando que a conduta não representa o país anfitrião do Mundial de 2026. O próprio Bernal divulgou um pedido de desculpas e, segundo relatos, apresentou a demissão do cargo, embora a entidade tenha sublinhado que a exoneração foi uma decisão institucional. A criadora de conteúdo, por sua vez, escreveu na legenda do vídeo: “Viajei até ao México para o Mundial, mas… estou a ser demasiado sensível?”, expondo a ambiguidade emocional de quem celebra uma vitória e, ao mesmo tempo, é alvejado por um preconceito ancestral.
Na perspetiva de Brasília, o incidente reacende o debate sobre como o racismo no desporto ultrapassa as fronteiras do futebol sul-americano e exige protocolos mais firmes por parte das federações e dos organizadores de megaeventos. Observadores em Lisboa notam que o caso ganha relevo num momento em que a região ibero-americana se prepara para receber o Mundial conjunto de 2030, aumentando a pressão por medidas de prevenção e sanção. Em países africanos de língua oficial portuguesa, onde o futebol é também um espaço de afirmação identitária, a notícia foi lida como mais uma prova de que a hospitalidade desportiva não pode conviver com a impunidade de atos discriminatórios, sobretudo num torneio que se quer símbolo de universalidade.
Do ponto de vista da organização do Mundial de 2026, o episódio testa a retórica de tolerância zero promovida pela FIFA. Embora o dirigente mexicano não integrasse a estrutura oficial do campeonato, a rapidez da sua queda — menos de 72 horas após a publicação do vídeo — demonstra que a vigilância digital e a mobilização das comunidades online podem funcionar como um antídoto poderoso. Resta saber se essa celeridade se converterá num padrão ou se continuará a ser a exceção ativada apenas quando a vergonha pública se torna incontornável.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O gesto racista de um funcionário mexicano contra uma influenciadora sul-coreana durante as comemorações da Copa do Mundo provocou indignação global. A demissão imediata foi vista como passo essencial para reafirmar valores antidiscriminatórios, mostrando que tal conduta não será tolerada nas arquibancadas nem fora delas.
Um funcionário local mexicano fez um gesto infeliz interpretado como racista contra uma criadora de conteúdo coreana durante as comemorações da Copa. Foi removido, mas muitos acham que seu pedido de desculpas imediato e o contexto de euforia mereciam uma punição menos drástica, para não alimentar polêmica desproporcional.
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