
G7 apoia acordo entre EUA e Irão e procura reduzir dependência do Estreito de Ormuz
Líderes reunidos em França comprometem-se a garantir navegação livre no Golfo Pérsico e a apoiar o cessar-fogo no Líbano, enquanto Teerão nega cancelamento de conversações.
A cimeira do G7 em Évian, presidida por Emmanuel Macron, terminou com uma declaração de apoio unânime ao acordo entre Washington e Teerão, saudado como um passo para pôr fim à instabilidade regional e aos seus efeitos na economia global. Macron sublinhou que a livre circulação no Estreito de Ormuz, sem taxas ou restrições, é um pilar do comércio internacional, e anunciou que o grupo se compromete a reduzir a dependência desta passagem estratégica, procurando rotas alternativas para o petróleo e o gás do Médio Oriente. Os líderes prometeram ainda aumentar as reservas energéticas e apoiar uma iniciativa multinacional de defesa, liderada por França e Reino Unido, para proteger navios comerciais e verificar a remoção de minas.
O memorando de entendimento, assinado digitalmente a 14 de junho e com formalização presencial prevista para 19 de junho na Suíça, é visto como a base para negociações mais amplas que travem as ambições nucleares e os programas de mísseis do Irão. A agência iraniana IRNA desmentiu os rumores de cancelamento da viagem da delegação a Genebra, confirmando que o texto final ficou pronto na manhã de segunda-feira. O G7 insistiu que o processo diplomático deve garantir que a República Islâmica nunca obtenha uma arma nuclear e que as ameaças regionais sejam contidas.
Na perspetiva de Brasília, o desfecho da cimeira pode reconfigurar os fluxos globais de energia, com impacto para um grande exportador como o Brasil, que poderá ver alterações na procura e nos preços. Observadores em Lisboa notam que a diversificação de rotas defendida pelo G7 atenua vulnerabilidades europeias, cruciais para Portugal, fortemente dependente de importações energéticas. Já analistas em Luanda avaliam que produtores africanos lusófonos, como Angola, enfrentam simultaneamente riscos de concorrência e oportunidades caso novos corredores logísticos sejam desenvolvidos.
O comunicado final do G7 apelou ainda a um cessar-fogo imediato e robusto no Líbano e ao desarmamento do Hezbollah, ecoando a insistência de Macron no respeito pela soberania libanesa. Vinte países manifestaram disponibilidade para participar na operação de proteção da navegação em Ormuz, sinalizando uma postura de segurança proativa. A unidade exibida em Évian, após meses de divergências, foi celebrada pelo presidente francês como um êxito objetivo.
Com a assinatura presencial iminente, a comunidade internacional observa com expectativa. O respaldo do G7 confere impulso político, mas o caminho para um acordo duradouro permanece complexo, condicionado pela consolidação do cessar-fogo libanês e por garantias verificáveis sobre o programa nuclear iraniano. Os próximos dias testarão se o memorando digital se traduz em estabilidade tangível no Médio Oriente e nos mercados energéticos mundiais.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A cúpula do G7 em Évian manifestou forte apoio ao acordo Irã-EUA, classificando-o como uma oportunidade histórica. Fontes iranianas enquadram o entendimento como uma vitória diplomática, mas repercutem com certo ceticismo os trechos do comunicado que condicionam o acordo à necessidade de lidar com as atividades regionais e balísticas de Teerã.
O G7 apoiou o acordo com o Irã e enfatizou a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, rejeitando qualquer cobrança de pedágio. A mídia árabe do Levante e do Magreb destaca o foco de Macron na consolidação do cessar-fogo no Líbano e no respeito à sua soberania, além dos esforços para reduzir a dependência energética de Ormuz.
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