
Filho da princesa herdeira da Noruega condenado a quatro anos de prisão por violação
Marius Borg Høiby, enteado do príncipe Haakon, foi considerado culpado de dois crimes de violação e violência doméstica, num processo que mergulhou a monarquia norueguesa numa crise de imagem sem precedentes.
O Tribunal Distrital de Oslo condenou esta segunda-feira Marius Borg Høiby, filho da princesa herdeira Mette-Marit, a quatro anos de prisão efetiva, após considerá-lo culpado de dois crimes de violação, violência doméstica e uma série de outros delitos. Høiby, de 29 anos, foi ilibado de outras duas acusações de violação, mas o coletivo de juízes deu como provados 34 dos cerca de 40 crimes que lhe eram imputados, incluindo agressões, ameaças, infrações rodoviárias e consumo de estupefacientes. O arguido, que não detém qualquer título oficial e não integra a Casa Real, assistiu à leitura da sentença por videoconferência a partir do estabelecimento prisional de Ila, onde se encontrava em prisão preventiva, depois de ter sido hospitalizado na semana anterior devido a uma crise na cela.
O julgamento, que decorreu ao longo de sete semanas e atraiu uma atenção mediática global, expôs detalhes perturbadores da vida privada do enteado do príncipe herdeiro Haakon. As investigações revelaram um padrão de dependência de drogas, filmagens de encontros sexuais sem consentimento e mais de 800 mensagens eletrónicas que sustentaram a acusação. Um dos crimes de violação ocorreu em 2018 na cave da residência oficial de Skaugum, nos arredores de Oslo, enquanto a vítima dormia; o outro deu-se numa festa na capital norueguesa em março de 2024. Em ambos os casos, as mulheres encontravam-se incapacitadas de resistir. A própria gravação de um dos atos, feita pelo arguido, foi determinante para a convicção do tribunal. A procuradora pedira sete anos e sete meses de prisão, mas a defesa, que admitiu apenas delitos menores, solicitara 18 meses e já anunciou que vai recorrer.
O caso abalou profundamente a imagem da monarquia norueguesa, já fragilizada por revelações anteriores de que Mette-Marit se reuniu várias vezes com o financista Jeffrey Epstein entre 2011 e 2013. Observadores na Escandinávia notam, porém, que a reação popular foi atenuada pela grave doença pulmonar da princesa, que se encontra em lista de espera para um transplante. “Ninguém marcha contra o palácio com forcados”, comentou um especialista em assuntos da corte, sublinhando que a compaixão pela mãe do condenado suavizou a indignação pública. A Casa Real limitou-se a declarar que não comenta decisões judiciais, mas a sucessão de escândalos reacendeu o debate sobre o papel da monarquia no século XXI, com ecos em outras cortes europeias, como a britânica, onde o príncipe André perdeu os títulos após acusações de abuso sexual.
Na perspetiva de Brasília, o episódio ecoa a atenção que a imprensa brasileira dedica às famílias reais europeias, frequentemente retratadas como novelas da vida real, mas também suscita reflexões sobre a responsabilização de figuras públicas, independentemente do seu estatuto. Em Lisboa, analistas recordam que a monarquia norueguesa, uma das mais discretas da Europa, vê agora a sua popularidade testada de forma inédita, num contexto em que as instituições hereditárias enfrentam um escrutínio crescente. Para os países africanos de língua oficial portuguesa, onde as monarquias tradicionais coexistem com sistemas republicanos, o caso norueguês ilustra a tensão universal entre privilégio e prestação de contas. Marius Borg Høiby deverá cumprir a pena na prisão de alta segurança de Ila, conhecida por albergar o terrorista Anders Behring Breivik, e enfrentará um regime restritivo, com contactos limitados com o exterior. O recurso anunciado prolongará a exposição pública de um drama que já marcou a história da coroa norueguesa.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A condenação a quatro anos de prisão do filho da princesa herdeira da Noruega por violação e violência doméstica abalou profundamente a imagem da monarquia. O julgamento revelou pormenores perturbadores, incluindo um vídeo filmado pelo próprio acusado, e a pena engloba abusos contra uma ex-companheira e consumo de estupefacientes. O caso lança uma sombra pesada sobre a família real, mesmo sem qualquer papel oficial para Høiby.
A condenação do filho da princesa herdeira norueguesa por violação é recebida com uma certa satisfação perante as contradições das elites ocidentais. Das 40 acusações, apenas dois casos de violação foram considerados provados, e a defesa anunciou recurso. O caso expõe a hipocrisia e os vícios escondidos atrás das fachadas reais.
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