
Exportações argentinas batem recorde e IA redesenha comércio global
Superávit comercial histórico de quase US$ 14 mil milhões na Argentina coincide com disparada de envios de tecnologia do México e Taiwan, enquanto acordo Mercosul-UE impulsiona Brasil.
As exportações argentinas somaram 49,5 mil milhões de dólares no primeiro semestre de 2026, um crescimento homólogo de 24,4% que elevou o superávit comercial a um valor recorde de 13,9 mil milhões de dólares, cinco vezes superior ao do mesmo período de 2025. O saldo positivo da balança energética melhorou em 2,2 mil milhões de dólares face ao ano anterior, sustentado pelo aumento dos volumes exportados de petróleo e gás de Vaca Muerta, enquanto as importações de energia cresceram apenas marginalmente. A província de Buenos Aires manteve a liderança, concentrando 31,8% das vendas externas, ancorada na agroindústria e no polo petroquímico, mas a província de Neuquén já ocupa o quarto lugar, com 4,3 mil milhões de dólares exportados, refletindo o peso crescente dos hidrocarbonetos não convencionais.
Paralelamente, a procura global por inteligência artificial está a reconfigurar os fluxos comerciais noutras latitudes. As encomendas de exportação de Taiwan dispararam 59,4% em junho, para um máximo histórico de 95,3 mil milhões de dólares, impulsionadas por semicondutores e equipamentos de computação em nuvem. No México, as vendas de equipamento informático para os Estados Unidos triplicaram entre janeiro e abril, ultrapassando os 50 mil milhões de dólares e desbancando a indústria automóvel como principal rubrica exportadora. O chamado 'Silicon Valley mexicano', em Jalisco, alberga unidades da Foxconn e da Flextronics que montam bastidores para centros de dados de IA, num momento em que Washington procura, em simultâneo, reduzir a dependência de fornecedores asiáticos e renegociar o acordo T-MEC.
O hemisfério sul também regista um impulso comercial de origem regulatória. As exportações brasileiras para a União Europeia cresceram 2 mil milhões de dólares em maio e junho, os primeiros meses de vigência provisória do acordo Mercosul-UE, um aumento de 26% face ao período homólogo. A Apex Brasil identificou 167 oportunidades de novas empresas exportadoras em Santa Catarina e 127 em São Paulo, sinalizando o potencial de diversificação. Na Argentina, o comércio eletrónico transfronteiriço também bateu recordes: as importações via sistema courier duplicaram no semestre, atingindo 125 milhões de dólares em junho, favorecidas pela estabilidade cambial e pela unificação de benefícios fiscais.
Os próximos marcos incluem a ronda de revisão do T-MEC, que decorre na Cidade do México sob a pressão de um défice comercial americano que a explosão das exportações tecnológicas mexicanas tende a agravar, e a aprovação definitiva do acordo Mercosul-UE pelo Tribunal de Justiça e pelo Parlamento Europeu. Em Buenos Aires, as consultoras projetam que as exportações argentinas possam encerrar 2026 perto dos 100 mil milhões de dólares, com um superávit comercial a rondar os 20 mil milhões, embora o ritmo de crescimento das importações dê sinais de recuperação, o que poderá moderar o saldo nos próximos meses.
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