
EUA sancionam financiador nigeriano do ISIS e três casas de câmbio em Lagos e Kano
Ação do Tesouro americano visa cortar fluxos financeiros do grupo terrorista na África Ocidental, Europa e Oriente Médio, com impacto em três bureaux de change na Nigéria.
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos sancionou na segunda-feira três indivíduos e seis empresas na Europa, no Oriente Médio e na África Ocidental por funcionarem como facilitadores financeiros do grupo extremista Estado Islâmico (ISIS). Entre os alvos está o nigeriano Mukhtar Adamu Muhammad, de 35 anos, residente na região de Agege, em Lagos, e três casas de câmbio por ele controladas — Generation Currency Bureau De Change Limited e Nine to Nine Exchange Bureau De Change Limited, ambas em Lagos, e a Manhattan Bureau De Change Limited, em Kano. Segundo a lista atualizada do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), Muhammad movimentava fundos para a filial do ISIS na África Ocidental, utilizando as empresas como conduto.
De acordo com o porta-voz do Departamento de Estado, Thomas Pigott, as designações inserem-se na estratégia do governo Trump de “desmantelar a capacidade do ISIS de financiar o terrorismo em todo o mundo” e cortar “linhas de vida financeiras” que permitem ataques, sustentam afiliadas regionais e ameaçam civis, incluindo minorias religiosas. A rede desmantelada também inclui um facilitador na França que fornecia informações sobre explosivos a apoiantes do grupo e um operador na Síria que utilizava criptomoedas para transferir fundos entre associados do ISIS em vários países, incluindo os Estados Unidos. Os visados foram incluídos na lista de Nacionais Especialmente Designados (SDN) ao abrigo da Ordem Executiva 13224, que bloqueia os seus bens em solo americano e proíbe transações com cidadãos norte-americanos.
Analistas ligados ao combate ao terrorismo na África Ocidental referem que a ação expõe a vulnerabilidade dos sistemas financeiros regionais, frequentemente usados para triangulação de fundos ilícitos. A decisão foi acompanhada de gestos de cooperação com Abuja — Washington recordou a operação conjunta de maio de 2026 que resultou na morte de Abu-Bilal al-Minuqi, número dois do ISIS, e reafirmou o compromisso de proteger minorias religiosas. A referência é particularmente sensível: em outubro passado, o presidente Trump classificou a Nigéria como “País de Particular Preocupação”, alegando perseguição de cristãos, num gesto criticado por lideranças africanas e europeias, que viram na medida uma instrumentalização da política de ajuda externa.
O anúncio coincide com o aceso debate interno nos EUA sobre os cortes à Agência para o Desenvolvimento Internacional (USAID), acusada por Elon Musk de ter canalizado milhões de dólares para organizações ligadas ao terrorismo. Embora laços entre a USAID e o financiamento ao ISIS não tenham sido estabelecidos pelas designações de segunda-feira, em Brasília e em Lisboa, diplomatas observam que a administração americana tenta alinhar a narrativa de “tolerância zero” ao terrorismo com a sua política de redução de ajuda externa. O Tesouro adverte que instituições financeiras estrangeiras que facilitem transações para os sancionados podem sofrer restrições secundárias, elevando a pressão sobre bancos e casas de câmbio em toda a África lusófona que mantenham relações de correspondência com os visados. O congelamento de ativos já está em execução, e espera-se que Abuja forneça mais informações sobre a operação local nos próximos dias.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Os Estados Unidos designaram um empresário nigeriano e várias casas de câmbio em Lagos como parte de uma repressão global ao financiamento do ISIS. A ação destaca o papel involuntário da Nigéria nas redes internacionais de financiamento do terrorismo, levantando preocupações sobre a supervisão dos canais financeiros informais. As autoridades estão agora sob pressão para apertar o monitoramento das casas de câmbio.
Elon Musk aproveitou as declarações da presidente do México para justificar o desmantelamento da USAID, retratando a ajuda externa como um desperdício contraproducente. A disputa com um deputado democrata reacendeu o debate sobre se os cortes na ajuda colocam milhões de vidas em risco. Observadores latino-americanos notam como as falas de líderes regionais estão sendo instrumentalizadas nas batalhas internas de Washington.
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