
EUA rejeitam alegação do Irão de que fundos serão libertados antes de negociações
O governo americano insiste que os ativos congelados apenas serão descongelados após o cumprimento de obrigações, num choque de versões que marca o arranque de conversações de 60 dias.
A administração Trump rejeitou de forma categórica a alegação iraniana de que milhares de milhões de dólares em ativos congelados seriam libertados logo após a assinatura do memorando de entendimento previsto para sexta-feira. Um alto responsável norte-americano confirmou que “não se trata de forma alguma de verdade”, sublinhando que o mecanismo acordado assenta no princípio do “pagamento por desempenho”: nenhum fundo será descongelado sem que Teerão implemente primeiro as suas obrigações. A posição foi divulgada em reação a declarações do vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi, que condicionara o avanço das conversações ao cumprimento prévio, por parte de Washington, de compromissos que incluem a libertação desses valores.
O choque de versões ganhou contornos públicos quando o presidente Donald Trump anunciou a conclusão do acordo, declarando a reabertura do Estreito de Ormuz e o levantamento imediato do bloqueio naval norte-americano. A dimensão da divergência é reveladora: enquanto Washington descreve um processo escrupulosamente faseado, Teerão insiste na existência de compromissos financeiros incondicionais antes do período de negociação de 60 dias. A imprensa russa, citando o Financial Times, sublinha que qualquer alívio de sanções – incluindo o descongelamento de ativos – ficará diretamente dependente de progressos verificáveis no programa nuclear iraniano, reforçando a narrativa de condicionalidade defendida pela Casa Branca.
Na perspetiva de Brasília, o imbróglio é acompanhado com atenção, já que a estabilidade do Golfo Pérsico e a normalização do tráfego marítimo em Ormuz têm impacto direto nos preços do petróleo e nos custos de transporte para as economias emergentes. Para o Brasil, grande exportador de matérias-primas, uma redução sustentada das tensões pode favorecer a retoma do comércio global, mas a incerteza gerada pelo desencontro de narrativas mantém os mercados voláteis. Observadores em Lisboa notam que a União Europeia, tradicional defensora da diplomacia multilateral, vê com prudência este acordo bilateral, receando que os fossos iniciais comprometam a credibilidade do processo e reavivem as clivagens que marcaram o colapso do acordo nuclear de 2015.
O caminho que se segue nos primeiros 60 dias de conversações será decisivo. A insistência iraniana em obter contrapartidas financeiras imediatas reflete a pressão interna sobre uma economia sufocada por sanções, enquanto a Casa Branca procura demonstrar que qualquer concessão só virá com factos no terreno. Analistas em Moscovo e no Médio Oriente convergem na avaliação de que a superação desta “fenda narrativa” exige mecanismos de verificação mútuos e um calendário claro de etapas. Caso contrário, a dinâmica de desconfiança que já fez naufragar anteriores tentativas de entendimento poderá repetir-se, adiando uma solução duradoura para um dossier que há décadas condiciona a segurança regional.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Autoridades americanas rejeitaram as alegações iranianas de acesso imediato a ativos congelados, classificando-as como enganosas e totalmente falsas. O acordo, insistem, está estruturado como pagamento por cumprimento, e nenhum fundo será liberado até que Teerã honre suas obrigações. As narrativas conflitantes expõem uma grande distância entre os dois lados.
Pontos-chave do entendimento entre Washington e Teerã permanecem indefinidos, com o Irã exigindo o fim definitivo das sanções e a liberação imediata dos ativos congelados. Um rascunho não verificado do memorando lista catorze itens, entre eles a liberação de doze bilhões de dólares antes do início das conversas. As versões discordantes evidenciam a fragilidade do acordo preliminar.
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