
Até cinco xícaras de café por dia não aumentam risco cardiovascular, indica associação
Declaração da American Heart Association baseia-se em revisão de estudos recentes e surge no momento em que o café se torna a bebida mais consumida nos EUA, superando a água engarrafada.
O consumo diário de café atinge um marco histórico nos Estados Unidos: 66% dos adultos beberam café no dia anterior, superando a água engarrafada (64%), segundo as Tendências Nacionais de Dados sobre o Café de 2025. Simultaneamente, uma declaração científica da American Heart Association, publicada na revista Circulation, conclui que até 400 mg de cafeína por dia — o equivalente a cinco xícaras de café preto de 237 ml — são seguras e podem estar associadas a menor risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e acidente vascular cerebral. A análise fornece uma referência atualizada para milhões de consumidores.
A metabolização da cafeína varia conforme genética, idade e hábitos, e o benefício potencial desaparece quando se adicionam açúcares, xaropes ou creme. Em contrapartida, doses elevadas de cafeína, como as presentes em bebidas energéticas (até quatro vezes mais concentradas), associam-se a hipertensão e arritmias. A produção do café também está sob escrutínio: estima-se que uma única xícara exija 140 litros de água, a maior parte absorvida pela planta na fase de cultivo, um dado que alimenta o debate sobre sustentabilidade em países produtores como Brasil e Colômbia. Já o chá, com uma pegada hídrica de 30 litros por xícara, pode auxiliar na termorregulação em climas quentes e secos ao estimular o suor, desde que a transpiração evapore eficientemente.
No campo do álcool, a interrupção do consumo produz efeitos mensuráveis em prazos curtos: após 24 horas, reduz-se a desidratação; em uma semana, melhora a qualidade do sono e inicia-se a regeneração hepática; ao fim de um mês, a resistência à insulina cai 25% e a pressão arterial diminui. Para adolescentes, contudo, qualquer ingestão pode comprometer o desenvolvimento cerebral, que se prolonga até os 25 anos, alertam psiquiatras do Ministério da Saúde peruano. Durante a gravidez, especialistas nigerianos recomendam limitar a cafeína a 200 mg diários, pois o excesso atravessa a placenta e está associado a restrição de crescimento fetal e maior risco de aborto.
Outros hábitos quotidianos influenciam a saúde metabólica. Dormir menos de seis horas eleva a hormona do stress (cortisol) e a grelina, que estimula o apetite, enquanto reduz a leptina, favorecendo o ganho de peso e a resistência à insulina. Alimentos ricos em açúcares simples, gorduras saturadas e carboidratos refinados também provocam picos e quedas de energia, agravando a fadiga.
A próxima etapa da investigação deverá centrar-se nos efeitos dos aditivos ao café e nos riscos das bebidas energéticas, enquanto a indústria cafeeira enfrenta pressão para tornar a cadeia de produção mais eficiente no uso da água. O monitoramento contínuo dos padrões de consumo fornecerá dados para políticas de saúde pública.
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