
EUA completam 12ª noite de ataques ao Irão e ameaçam infraestruturas civis
Ofensiva americana consecutiva atinge alvos militares enquanto Trump promete destruir pontes e centrais elétricas, e Teerão avisa que responderá com ataques a instalações regionais de energia.
As Forças Armadas dos Estados Unidos concluíram na noite de quarta-feira (22 de julho) a 12.ª ronda consecutiva de ataques contra alvos militares iranianos, numa operação de cinco horas que atingiu capacidades marítimas, depósitos de mísseis e drones, postos de vigilância costeira e sistemas de defesa aérea, segundo o Comando Central dos EUA (Centcom). A ofensiva insere-se numa campanha que, desde o início de julho, já alvejou dezenas de instalações em terra e retomou o bloqueio naval ao Irão, redirecionando nove navios comerciais e imobilizando uma embarcação para impedir o acesso a portos iranianos. Mais de 50 mil militares norte-americanos permanecem na região em estado de alerta máximo.
A escalada foi acompanhada por uma ameaça direta do presidente Donald Trump: a cada disparo iraniano contra um navio no Estreito de Ormuz, os EUA destruirão “uma ponte ou central elétrica” no Irão. Em reação, o comando militar conjunto iraniano advertiu que, se a ameaça for concretizada, as suas forças atacarão infraestruturas regionais de petróleo, gás e eletricidade, incluindo instalações com interesses americanos. O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Seyed Abbas Araghchi, invocou a doutrina “olho por olho”, enquanto o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, afirmou que a situação do estreito “não regressará às condições anteriores à guerra”. As Convenções de Genebra proíbem ataques a bens indispensáveis à população civil, e especialistas em direito internacional nos EUA já tinham alertado, em abril, que ações deste tipo podem configurar crimes de guerra.
O conflito, iniciado a 28 de fevereiro com ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irão, já provocou milhares de mortos e milhões de deslocados, segundo agências noticiosas. O número de militares americanos mortos subiu para 18 nos últimos dias. O Estreito de Ormuz, por onde transitava um quinto do petróleo e gás comercializados mundialmente em tempo de paz, permanece praticamente bloqueado, com o barril de Brent a superar os 93 dólares. O secretário da Defesa dos EUA, Pete Hegseth, estimou o custo da guerra em 37,5 mil milhões de dólares, enquanto a Câmara dos Representantes aprovou uma proposta orçamental de 95 mil milhões de dólares, dos quais 60 mil milhões se destinam ao Pentágono. Na perspetiva de analistas em Washington, o encargo diário poderá exceder os 890 milhões de dólares.
A via diplomática dá sinais de impasse. O Irão enviou o seu ministro do Interior ao Paquistão, mediador do acordo-quadro assinado em junho, mas não se conhecem progressos. Teerão sustenta que tem o direito de gerir o tráfego no estreito e de cobrar taxas, enquanto os EUA insistem em restaurar a liberdade de navegação. O porta-voz do Ministério do Interior iraniano afirmou que “a diplomacia não está cancelada” e que prosseguem as trocas de mensagens. O risco de alastramento regional é sublinhado por ataques com drones contra o Kuwait e por ameaças dos rebeldes houthis do Iémen à navegação saudita no Mar Vermelho. A próxima etapa legislativa em Washington será a reconciliação orçamental no Senado, onde os republicanos procuram contornar a oposição democrata para financiar a continuação das operações militares.
| Imprensa russa e CEI | −0.40 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.10 | neutral |
| Imprensa latino-americana | 0.00 | neutral |
A Rússia denuncia a agressão americana e alerta sobre a ameaça à infraestrutura civil.
Ao selecionar a ameaça de Trump à infraestrutura civil e apresentá-la como evidência da agressão americana, cria-se uma narrativa de escalada simétrica.
A Rússia omite a justificativa americana de atingir apenas alvos militares para proteger a navegação.
O Ocidente alerta sobre a ameaça à infraestrutura civil e enfatiza a escalada.
Ao incluir a ameaça de Trump e o contexto estratégico, constrói-se um senso de urgência e perigo iminente, levando o leitor a considerar as consequências de longo prazo.
O bloco atlântico omite as provocações iranianas que levaram aos ataques, como ataques a navios.
A América Latina relata os fatos sem julgamento, descrevendo as operações militares como medidas técnicas.
Ao omitir a ameaça de Trump e focar apenas nos alvos militares, a ação americana é normalizada como uma operação de rotina, reduzindo a percepção de escalada.
A América Latina omite a ameaça de Trump de atacar infraestrutura civil, o que teria tornado a ação americana mais controversa.
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