
Espanha conquista o bi mundial, mas Trump recusa-se a deixar o palco da festa
A seleção espanhola venceu a Argentina por 1-0 na final do Mundial 2026, mas a cerimónia de entrega do troféu foi marcada pela presença prolongada do presidente dos EUA no pódio e por gestos de desagrado de jogadores argentinos.
A Espanha sagrou-se bicampeã mundial de futebol ao derrotar a Argentina por 1-0, no Estádio MetLife, em Nova Jérsia, com um golo de Ferran Torres aos 106 minutos, já no prolongamento. O triunfo, alcançado diante de mais de 80 mil espetadores, repetiu o título de 2010 e impediu que a albiceleste se tornasse a primeira seleção desde o Brasil em 1962 a conquistar dois campeonatos consecutivos. Lionel Messi, visivelmente emocionado, permaneceu no relvado a observar os ecrãs gigantes, numa imagem que a imprensa latino-americana interpretou como o possível encerramento da sua trajetória em mundiais.
A partida foi tensa e só se decidiu no tempo extra, depois de a Argentina ter ficado reduzida a dez jogadores pela expulsão de Enzo Fernández, que atingiu Pau Cubarsí. O golo de Torres desbloqueou um encontro de forte carga tática, que terminou com empurrões e discussões entre jogadores de ambas as equipas no centro do campo, exigindo a intervenção dos corpos técnicos. Apesar do domínio espanhol, o resultado manteve-se incerto até ao apito final, refletindo o equilíbrio entre a campeã europeia e a detentora do título.
A cerimónia de entrega de medalhas e do troféu foi, porém, o momento de maior repercussão global. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acompanhado pelo presidente da FIFA, Gianni Infantino, foi recebido com vaias estrondosas ao entrar no relvado. Ao entregar a taça ao capitão Rodri, Trump permaneceu no palco, sorridente, enquanto Infantino tentava, sem sucesso, conduzi-lo para fora do enquadramento das câmaras. Rodri esperou pacientemente que o presidente se afastasse para erguer o troféu, mas Trump manteve-se à direita dos jogadores, ensaiando inclusive um passo da sua dança característica. O gesto foi interpretado por analistas europeus como uma tentativa de protagonismo que já se verificara na final do Mundial de Clubes de 2025, quando o Chelsea festejou o título.
A presença de Trump gerou ainda outros episódios de desconforto. Os defesas argentinos Cristian Romero e Lisandro Martínez evitaram cumprimentar o presidente durante a entrega das medalhas de prata, enquanto saudaram Infantino e a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum. Na tribuna de honra, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, e o rei Felipe VI assistiram à final ao lado de Trump, num ambiente descrito pela imprensa norte-americana como de “diplomacia forçada”, dadas as recentes tensões entre Washington e Madrid sobre despesas da NATO e a guerra no Irão. O presidente argentino, Javier Milei, aliado de Trump, optou por não comparecer, alegando superstição.
A federação espanhola e a FIFA publicaram nas redes sociais fotografias da celebração em que Trump não aparece, o que suscitou debates sobre a edição das imagens. A imprensa do Médio Oriente e da Ásia destacou o contraste entre a euforia desportiva e a instrumentalização política do evento, enquanto observadores em Lisboa e no Rio de Janeiro sublinharam o fim de um ciclo para Messi e a afirmação de uma nova geração espanhola. Com o título, a Espanha assume o topo do ranking mundial e prepara a defesa do troféu na Copa de 2030, cujo processo de candidatura já está em curso.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.60 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa do Golfo árabe | +0.20 | neutral |
Trump roubou a cena e se envergonhou ao se recusar a sair do pódio.
Ao focar nas vaias e no gesto do capitão, a narrativa transforma uma cerimônia de rotina em um escândalo.
Trump entregou o troféu e se juntou às comemorações sem incidentes.
Ao apresentar a cerimônia como tranquila e focar na entrega do troféu, a narrativa normaliza a presença de Trump e minimiza qualquer controvérsia.
As vaias da multidão e o gesto do capitão espanhol pedindo que Trump se afaste não são mencionados.
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