
Crimeia proíbe circulação noturna de motociclos para não abafar ruído de drones ucranianos
Autoridades impostas por Moscovo na península anexada restringem tráfego de veículos de duas rodas entre as 20h00 e as 06h00, temendo que os motores interfiram na deteção acústica de ataques aéreos.
A partir de 17 de junho, a Crimeia ocupada pela Rússia impõe uma proibição temporária à circulação noturna de motociclos, ciclomotores, pit bikes, quadriciclos, scooters e demais veículos motorizados de duas rodas. O anúncio foi feito pelo governador nomeado pelo Kremlin, Sergei Aksyonov, que invocou a necessidade de garantir a segurança pública e proteger instalações militares e estratégicas. O conselheiro da administração, Oleg Kryuchkov, foi mais explícito: o ruído desses veículos abafa o som dos motores dos drones ucranianos, dificultando o trabalho das equipas móveis de defesa aérea que dependem da audição para localizar ameaças durante os alertas. A medida, que vigorará “até ordem em contrário”, será fiscalizada pelo Ministério do Interior da república, e fontes estatais russas sugerem que há motociclistas a perturbar deliberadamente as operações em troca de pequenas recompensas financeiras através de aplicações de mensagens.
A restrição surge dias depois de as autoridades da Crimeia terem alterado o regime de circulação dos comboios de passageiros, que desde 9 de junho só operam entre as 05h00 e as 23h00. Embora Aksyonov não tenha então justificado a mudança, a decisão coincidiu com uma série de ataques das Forças Armadas da Ucrânia contra a infraestrutura ferroviária da península no início do mês. A proibição agora alargada ao tráfego de motociclos revela um padrão de restrição da mobilidade noturna para reduzir a exposição a incursões com drones, num momento em que Kiev intensifica operações contra alvos logísticos e militares no território anexado.
Na perspetiva de Brasília, onde a numerosa comunidade de origem ucraniana acompanha o conflito com apreensão, a medida é vista como mais um sinal da crescente militarização do quotidiano na Crimeia e da vulnerabilidade das defesas russas perante táticas assimétricas. Observadores em Lisboa notam que a dependência de métodos acústicos para detetar drones evidencia as limitações dos sistemas antiaéreos convencionais, um dado relevante para os aliados da NATO que estudam a guerra moderna. Já nos países africanos de língua portuguesa, o episódio reforça a perceção de que o conflito continua a gerar instabilidade regional, com impactos indiretos nos mercados energéticos e alimentares globais.
A proibição, embora apresentada como temporária, poderá prolongar-se se os ataques com drones persistirem, transformando-se num elemento semipermanente da vida na península. A medida ilustra a adaptação de ambos os lados: a Ucrânia recorre a drones baratos para saturar as defesas, enquanto a Rússia responde com contramedidas pouco ortodoxas que sacrificam liberdades civis. Contudo, a eficácia da restrição é questionável, já que os engenhos aéreos podem atacar também durante o dia, e o descontentamento entre os residentes da Crimeia — já submetidos a uma ocupação contestada internacionalmente — tende a agravar-se com cada nova limitação à sua rotina.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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As autoridades da Crimeia impuseram uma proibição noturna de circulação para motociclos e veículos similares das 20h às 6h, para evitar que o ruído dos motores mascare ataques de drones ucranianos e para proteger instalações militares e estatais. A medida é temporária e será aplicada pela polícia.
A administração apoiada pelo Kremlin na Crimeia anexada proibiu o uso noturno de motocicletas, alegando que o ruído perturba a defesa aérea contra drones. Críticos veem isso como um pretexto para restringir ainda mais a vida civil sob ocupação.
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