
Israel desafia pacto EUA-Irã e mantém ocupação no sul do Líbano
Netanyahu recusa retirada, divulga mapa de 'zona de segurança' e prossegue ataques, enquanto Hezbollah inflige baixas e põe em xeque memorando de paz.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, rejeitou frontalmente o memorando de entendimento assinado entre Washington e Teerão na quarta-feira, afirmando que Israel não retirará as suas tropas do sul do Líbano 'enquanto as necessidades de segurança o exigirem'. Horas depois, as Forças de Defesa de Israel divulgaram um mapa que delimita uma 'zona de segurança' com cerca de dez quilómetros dentro do território libanês, onde as unidades militares permanecerão destacadas para 'remover ameaças e reforçar a defesa dos residentes do norte'. A publicação, feita nas redes sociais, constitui um desafio explícito ao acordo que prevê o fim das hostilidades em todas as frentes e o respeito pela 'integridade territorial e soberania' do Líbano.
Apesar da assinatura do pacto, a violência não cessou. Na quinta-feira, um drone israelita atingiu um automóvel em Kfartebnit, perto da chamada 'linha amarela', matando pelo menos uma pessoa e ferindo gravemente outra, segundo a agência noticiosa oficial libanesa. Outro ataque aéreo visou a localidade de Haddatha. Do lado israelita, o exército confirmou a morte de um soldado reservista e sete feridos — entre eles oficiais superiores — na véspera, quando um engenho explosivo do Hezbollah atingiu uma patrulha junto ao rio Litani. O grupo xiita libanês, aliado do Irão, intensificou as ações de guerrilha, demonstrando que o terreno continua a ditar a sua própria lógica, à margem dos compromissos diplomáticos.
O acordo interino entre EUA e Irão, anunciado na segunda-feira e formalizado na quarta, procurava encerrar a guerra regional que eclodiu após o Hezbollah abrir fogo contra Israel em março, em solidariedade com Teerão. Contudo, fontes israelitas revelaram à Reuters que Jerusalém negoceia com Washington a continuidade do seu destacamento militar no Líbano, numa tentativa de preservar a liberdade de ação e a zona-tampão que considera vital. A administração norte-americana, que mediou o entendimento, vê-se agora dividida entre a pressão do seu aliado histórico e a necessidade de dar credibilidade ao memorando com o Irão. Na perspetiva de Teerão, o recuo israelita é parte indissociável do acordo final, e a sua recusa pode reabrir a espiral de confrontação.
Para Beirute, as declarações de Netanyahu confirmam que o verdadeiro teste será a retirada efetiva do sul, condição sine qua non para restaurar a soberania libanesa. Observadores em Lisboa notam que a crise expõe a fragilidade dos acordos multilaterais quando um ator regional dispõe de capacidade militar para os desafiar. Já em Brasília, a diplomacia brasileira, tradicional defensora de soluções negociadas e da integridade territorial dos Estados, acompanha com preocupação o impasse, que pode minar os esforços de paz no Médio Oriente e afetar a estabilidade global. A África lusófona, com crescentes laços comerciais com o Golfo, também sente os efeitos indiretos da instabilidade.
O memorando EUA-Irão permanece em vigor, mas a sua aplicação no terreno libanês está por demonstrar. Enquanto Israel insiste em manter a zona de segurança e o Hezbollah prossegue os ataques, o risco de uma erosão rápida do cessar-fogo é real. A comunidade internacional observa se Washington conseguirá impor moderação a Telavive ou se o acordo se revelará letra morta, reacendendo um conflito que já causou milhares de mortos e deslocados.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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As operações da resistência do Hezbollah no sul do Líbano infligiram perdas significativas ao exército de ocupação israelense, matando um soldado e ferindo vários oficiais. Esses ataques demonstram a capacidade da resistência de confundir as forças israelenses, mesmo enquanto os EUA e o Irã assinam um acordo para encerrar as hostilidades. A narrativa enfatiza a eficácia da resistência e a vulnerabilidade da ocupação.
As FDI anunciaram a morte de um soldado reservista e ferimentos em outros sete em uma explosão no sul do Líbano, durante a assinatura de um memorando entre EUA e Irã. O incidente ressalta os contínuos desafios de segurança que Israel enfrenta em sua frente norte, mesmo enquanto esforços diplomáticos visam interromper as operações militares. O foco está na perda e no contexto operacional.
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