
Colonos israelitas incendeiam mesquitas e Israel avança sobre Hebron na Cisjordânia
Incêndios em Jiljiliya e Mazra’a al-Nubani, com pichações de vingança, coincidem com a decisão de Tel Aviv de assumir o planeamento urbano na zona H2 de Hebron, anulando acordos de 1997.
Na madrugada de quarta-feira, colonos israelitas atearam fogo a duas mesquitas em aldeias a norte de Ramallah, na Cisjordânia ocupada. Em Jiljiliya, o grupo incendiou a sala de abluções do principal templo e deixou nas paredes externas inscrições em hebraico como “Vingança”, “Saudações dos detidos” e “Acordem, rapazes”. Em Mazra’a al-Nubani, o fogo danificou a mesquita Al-Farouq. Moradores enfrentaram os agressores antes da chegada das forças israelitas, que dispararam gás lacrimogéneo e granadas de atordoamento. O exército confirmou o fogo posto e as pichações, mas não identificou os autores, entretanto fugidos.
Quase em simultâneo, o ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, anunciou a anulação de partes do Acordo de Hebron de 1997, retirando à municipalidade palestiniana o controlo sobre planeamento e construção na zona H2, onde se situa a Mesquita Ibrahimi (Túmulo dos Patriarcas), sagrada para muçulmanos, judeus e cristãos. Smotrich aprovou ainda a expansão de uma escola para colonos no coração da cidade. A presidência palestiniana classificou a medida como “unilateral, rejeitada e condenada”, alertando que viola o direito internacional e sabota a solução de dois Estados.
As reações multiplicaram-se. O Hezbollah libanês condenou os incêndios como “ataque terrorista grave” contra locais de culto, sublinhando a coincidência com o início do ano islâmico e apelando à unidade de países árabes e muçulmanos. Observadores em Lisboa notam que a erosão dos acordos de Oslo se acelera, enquanto, na perspetiva de Brasília, a escalada põe em causa os esforços diplomáticos pela estabilidade regional — o Brasil mantém historicamente o apoio à criação de um Estado palestiniano viável.
Os ataques inserem-se numa vaga de violência de colonos que se intensificou desde o início da guerra em Gaza, em 2023. Em maio, um adolescente palestiniano de 16 anos foi morto perto de Jiljiliya numa ação coordenada entre milícias de colonos e soldados. Dias antes dos incêndios, a polícia israelita deteve seis suspeitos por fogos postos em mesquitas de Deir Dibwan e Burqa. A decisão sobre Hebron, por seu turno, consolida uma estratégia de fragmentação administrativa que, segundo analistas em Maputo e noutras capitais lusófonas, recorda as anexações silenciosas denunciadas pela União Africana.
Sem mecanismos eficazes de responsabilização, advertem diplomatas europeus, a combinação de violência direta e medidas unilaterais continuará a minar qualquer horizonte de negociação. A comunidade internacional, dividida entre condenações verbais e paralisia no Conselho de Segurança, vê esgotar-se o tempo para preservar o estatuto jurídico dos territórios ocupados e a frágil coexistência em Hebron, microcosmo de todo o conflito.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Colonos israelenses incendiaram duas mesquitas em aldeias ao norte de Ramallah, danificando a sala de abluções e pichando slogans hostis nas paredes. Moradores e equipes da defesa civil palestina correram para apagar as chamas. O ataque faz parte de uma onda de violência extremista contra locais de culto palestinos.
A mídia palestina relatou que colonos incendiaram uma mesquita na área de Ramallah. A polícia já havia prendido seis suspeitos por incêndios semelhantes em entradas de mesquitas e veículos, e uma fonte de segurança confirmou o envolvimento de colonos, descrevendo eventos de atrito em várias localidades.
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