
Presidente eleito da Colômbia rompe com Cuba e Nicarágua e fecha 14 embaixadas
Abelardo de la Espriella, que toma posse a 7 de agosto, anunciou também a suspensão da embaixada na Palestina e a reabertura da missão em Israel, em Jerusalém.
O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, anunciou no domingo (26) que romperá relações diplomáticas com Cuba e Nicarágua assim que assumir o cargo, em 7 de agosto. Em uma transmissão nas redes sociais, o político de direita afirmou que “não haverá vínculo algum com tiranias” e detalhou um plano de reestruturação da rede diplomática que inclui o fechamento de 14 embaixadas — entre elas as de Argelia, África do Sul, Haiti, Hungria e Senegal — e de cerca de 15 consulados. A medida, justificada como uma “otimização” de custos, prevê ainda a suspensão da abertura de uma embaixada nos territórios palestinos, a reabertura da missão colombiana em Israel, agora em Jerusalém, e a abertura de uma nova representação na Nigéria.
A decisão representa uma rutura com a política externa do governo cessante de Gustavo Petro, que rompera relações com Israel em 2024, em protesto contra a ofensiva em Gaza, e iniciara o processo de abertura de uma embaixada em Ramallah. De la Espriella, que contou com o apoio explícito do presidente dos EUA, Donald Trump, durante a campanha, alinha-se agora com a estratégia de Washington de pressão sobre os governos de Cuba e Nicarágua. Fontes diplomáticas em Washington assinalam que a medida reforça o isolamento de Manágua, depois de o presidente Daniel Ortega ter anunciado a suspensão de eleições, e de Havana, num momento de tensão crescente com os EUA. Em Brasília, a decisão é acompanhada com atenção, dado o histórico de cooperação brasileira com ambos os países e o reconhecimento do Estado palestiniano pelo Brasil.
A transferência da embaixada em Israel de Telavive para Jerusalém é um dos pontos mais sensíveis do anúncio. Apenas oito países mantêm a sua representação na cidade, cujo estatuto é disputado: Israel reivindica-a como capital “completa e indivisível”, enquanto os palestinos reivindicam Jerusalém Oriental como capital do seu futuro Estado. Observadores em Lisboa notam que a medida contraria a posição da União Europeia, que defende que o estatuto definitivo da cidade deve ser resolvido por negociações. A suspensão da embaixada palestiniana, por sua vez, reduz o nível de reconhecimento político que Bogotá concedia à Autoridade Palestiniana, embora não revogue formalmente o reconhecimento do Estado da Palestina, vigente desde 2018.
O fechamento de representações em África e no Caribe — incluindo países como África do Sul, Senegal, Etiópia e Haiti — é interpretado por analistas internacionais como um sinal de retração da presença colombiana em regiões de menor interesse estratégico imediato, em favor de um alinhamento mais estreito com os EUA e Israel. A reestruturação ecoa a decisão do ex-presidente Álvaro Uribe, que em 2002 fechou várias embaixadas para concentrar esforços no bilateralismo com Washington. De la Espriella estima que as medidas permitirão poupar “milhares de milhões de pesos”, embora análises preliminares indiquem que o serviço exterior representa menos de 1% do orçamento nacional. A posse está marcada para 7 de agosto, e o novo governo deverá implementar as mudanças nos primeiros dias de mandato.
| Imprensa latino-americana | −0.30 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.50 | critical |
O presidente eleito Abelardo de la Espriella fecha embaixadas por razões de custo e para romper com as 'tiranias' de Cuba e Nicarágua. É uma escolha ideológica de extrema-direita.
O uso do termo 'tiranias' e do rótulo 'extrema-direita' cria um quadro moral que justifica a ruptura e convida à crítica.
O impacto da decisão na questão palestina e nas relações com Israel não é explorado, que é central no outro bloco.
O novo governo colombiano abandona o legado de Petro, suspende a embaixada na Palestina e muda-se para Jerusalém. É um golpe para as aspirações palestinas.
A narrativa concentra-se na ruptura com o passado e na escolha de Jerusalém, apresentando a decisão como um alinhamento com Israel em detrimento dos palestinos.
A motivação econômica de redução de custos e o fechamento de outras 13 embaixadas não são mencionados, focando apenas nos aspectos relacionados a Israel e Palestina.
Amplie o olhar
Brasil aciona OMC contra tarifaço dos EUA, mas vê gesto como simbólico
1 idioma · 9 veículos
De TechnologyAvanço da IA encarece memória e ameaça extinguir smartphones abaixo de 100 dólares
4 idiomas · 7 veículos
De Science & HealthGovernos reagem ao impacto das telas no desenvolvimento infantil e lançam novas diretrizes
6 idiomas · 11 veículos