
China supera EUA em popularidade global pela primeira vez em duas décadas, aponta Pew
Levantamento em 36 países revela que 25 nações têm visão mais favorável de Pequim do que de Washington, com quedas acentuadas entre aliados históricos como Canadá e México.
Pela primeira vez em cerca de 20 anos de medições, a China ultrapassou os Estados Unidos em percepção favorável na maioria dos países pesquisados pelo Pew Research Center. O estudo, que ouviu mais de 42 mil pessoas em 36 países entre fevereiro e maio de 2026, indica que em 25 dessas nações a imagem de Pequim é agora mais positiva do que a de Washington. Apenas seis países — Polónia, Filipinas, Coreia do Sul, Índia, Japão e Israel — mantêm uma visão mais favorável dos EUA. A viragem é considerada histórica pelos investigadores, que atribuem o fenómeno tanto à melhoria da imagem chinesa quanto ao declínio acentuado da confiança nos Estados Unidos.
Segundo os responsáveis pelo estudo, a queda na popularidade americana está diretamente relacionada com ações da administração Trump, como a imposição de tarifas a aliados, as ameaças de anexação do Canadá e da Gronelândia, a incursão militar que capturou o então líder venezuelano Nicolás Maduro e a gestão da guerra em Gaza. A ofensiva militar contra o Irão, iniciada no período da pesquisa, também contribuiu para a perceção de que Washington “não está a contribuir para a paz e a estabilidade globais”, afirmou Laura Silver, diretora associada do Pew. Em contrapartida, a China beneficiou do esbatimento da memória da pandemia de covid-19 e é cada vez mais vista como um parceiro “mais fiável” em países de rendimento médio, de acordo com os dados.
A reação oficial das duas potências reflete a divergência de narrativas. A embaixada chinesa em Washington declarou que os resultados “demonstram que as conquistas de governação e o progresso do desenvolvimento da China são amplamente reconhecidos”. Já a porta-voz da Casa Branca, Olivia Wales, afirmou que “o presidente Trump fez mais pela estabilidade global do que qualquer outro”, enumerando a destruição de instalações nucleares iranianas e a eliminação de “narcoterroristas”. A confiança nos dois líderes, porém, permanece baixa na maioria dos países, embora Xi Jinping obtenha avaliações superiores às de Trump em 22 das 36 nações, incluindo aliados como França, Alemanha e Reino Unido.
A mudança é particularmente drástica entre vizinhos e parceiros tradicionais dos EUA. No Canadá, a percentagem de opiniões favoráveis a Washington caiu de 57% em 2023 para 33% em 2026, enquanto a da China subiu de 14% para 44%. No México, a inversão foi igualmente acentuada. Na Europa, países como Espanha, Itália, Grécia e Países Baixos registaram oscilações semelhantes. Embora o Brasil não tenha integrado a amostra, a viragem em vizinhos como Argentina e Colômbia é acompanhada com atenção por analistas em Brasília, que veem na tendência um reflexo do desgaste da liderança americana na região. Em África, onde a China tem expandido investimentos em infraestruturas, o Pew regista que a maioria dos inquiridos em países de rendimento médio considera Pequim menos intervencionista do que Washington. Observadores em Lisboa notam que a erosão da imagem dos EUA entre aliados europeus pode ter implicações para a coesão da NATO e para as relações transatlânticas. O estudo não antecipa consequências políticas imediatas, mas deverá alimentar os debates sobre a eficácia da diplomacia americana e a crescente influência global da China.
| Imprensa chinesa | +1.00 | aligned |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.20 | neutral |
| Imprensa japonesa-coreana | −0.60 | critical |
| Imprensa europeia continental | 0.00 | neutral |
China celebrates the recovery of its global image, attributing it to Xi Jinping's leadership and the resilience of the Chinese model.
Presents the survey as evidence of a historic reversal, emphasizing recovery from pandemic lows and downplaying regional criticisms.
Does not mention that Japan and neighboring countries maintain negative views of China due to territorial disputes.
The Atlantic West warns of the decline of American soft power, attributing China's overtaking to tensions created by the Trump administration.
Uses the survey to highlight the consequences of Trump's policies, turning data on China into a critique of American leadership.
Does not emphasize that in Japan and neighboring countries China is still viewed negatively, limiting the scope of the global overtaking.
Japan and Korea reiterate that positive perception of China is a distant phenomenon, while in their region mistrust and security concerns prevail.
Contrasts global data with regional realities, using territorial disputes as evidence that China's overtaking is not universal.
Does not highlight that globally, for the first time, China is viewed more positively than the US in a majority of surveyed countries.
Continental Europe records the data without alarmism, presenting the overtaking as a statistical fact devoid of immediate implications.
Adopts a detached and descriptive tone, avoiding attributing causes or consequences, to maintain a position of neutrality.
Does not discuss the strategic implications of the shift in global perception for the world order.
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