
Chanceler iraniano alerta para 'precedente incendiário' de confisco de ativos pelos EUA
Plano de Trump de usar fundos iranianos congelados para indenizar danos navais ameaça normas internacionais e a segurança de patrimónios soberanos, segundo Teerão.
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, classificou como “precedente incendiário” a ameaça do presidente norte-americano, Donald Trump, de utilizar ativos iranianos congelados para compensar eventuais danos futuros a navios e cargas no Golfo Pérsico. A declaração, divulgada na rede social X, surge num momento de escalada militar e diplomática entre Washington e Teerão, com os Estados Unidos a realizarem a 13.ª noite consecutiva de ataques aéreos contra alvos no Irão e os houthis, apoiados por Teerão, a atacarem embarcações sauditas no Mar Vermelho.
Na perspetiva de Washington, a medida visa responsabilizar o Irão por alegados ataques contra a navegação comercial no estratégico Estreito de Ormuz, por onde transita uma parte significativa do petróleo mundial. Trump afirmou na sua rede Truth Social que “qualquer dano causado a navios, cargas ou algo relacionado será pago com dinheiro iraniano que os Estados Unidos têm em sua posse e controlam”. Em contrapartida, Araghchi advertiu que “apoderar-se dos ativos de outra nação para pagar reclamações futuras não relacionadas é um precedente incendiário” e sublinhou que, “uma vez que os governos normalizem o confisco, os ativos de ninguém estarão seguros”, acrescentando que o caos resultante “não será bonito nem pacífico”.
Os fundos iranianos congelados, estimados entre 100 e 167 mil milhões de dólares, estão dispersos por diversos países e sujeitos a sanções norte-americanas. O seu desbloqueio era um dos pilares do memorando de entendimento assinado em junho para consolidar a trégua que pôs fim, em abril, a 40 dias de guerra iniciada com ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irão. Contudo, Trump deu por terminado esse acordo há duas semanas, alegando incumprimento iraniano. Em Bruxelas e noutras capitais europeias, diplomatas temem que a retórica de confisco mine a confiança no sistema financeiro internacional e abra caminho a disputas semelhantes sobre ativos de outros Estados.
Analistas em Lisboa e Brasília alertam que a normalização do confisco de reservas soberanas pode ter implicações para países emergentes com ativos no exterior, ainda que não diretamente sancionados. Ao mesmo tempo, a região do Golfo permanece sob tensão, com a Guarda Revolucionária iraniana a ameaçar cortar o fornecimento de energia a aliados dos EUA e a bloquear o fluxo de petróleo. Teerão rejeitou entretanto uma nova proposta de cessar-fogo mediada pelo Iraque, por considerá-la insuficiente para resolver a questão do controlo do Estreito de Ormuz. A comunidade internacional acompanha com apreensão os próximos passos, enquanto Washington pondera novas medidas legislativas para redirecionar os fundos iranianos.
| Imprensa iraniana e afins | −0.80 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | −0.70 | critical |
| Imprensa do Golfo árabe | −0.20 | neutral |
| Imprensa russa e CEI | −0.60 | critical |
Iran warns the United States that confiscating sovereign assets for unrelated claims sets an explosive precedent and calls on the international community to resist.
Personification of the Iranian state as a victim of legal aggression, using the threat of universal chaos to delegitimize the counterpart.
It omits ongoing US strikes against Iranian targets, which the Gulf bloc cites as context for the threat.
Progressive Latin American governments align with Tehran in denouncing US arrogance, calling the seizure an act of financial piracy.
Universalization of the Iranian case as an example of imperialist abuse, leveraging the region's anti-American identity.
It omits Trump's statements justifying the measure as a response to maritime damages and the context of naval tensions present in other blocs.
The Gulf cautiously observes the dispute, stressing that seizure of sovereign assets could destabilize financial markets and freedom of navigation.
Pragmatic detachment: it refrains from condemning or supporting, but highlights systemic consequences for the region.
It does not elaborate on Iran's perspective on maritime claims nor the context of ship attacks that might justify the US reaction.
Russia joins Iran in condemning the seizure as an act of unilateral US bullying, reaffirming the need for a multipolar order.
Reprojection: it attributes to the US responsibility for a dangerous precedent, aligning Russia's position with Iran's.
It omits the role of Iran-aligned militias in ship attacks, which could be used to justify the US measure.
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