
Cabo Verde protagoniza choque histórico, Espanha e Uruguai tropeçam em estreia no Mundial
A quinta jornada do Mundial 2026 foi marcada por empates surpreendentes das favoritas europeias e sul-americanas, com a estreante seleção cabo-verdiana a escrever a página mais gloriosa da sua história ao neutralizar a campeã europeia.
A seleção de Cabo Verde inscreveu o seu nome na história dos Campeonatos do Mundo com um feito de proporções épicas. Na sua estreia absoluta na competição, o pequeno arquipélago africano, com pouco mais de meio milhão de habitantes, neutralizou a poderosa Espanha, campeã europeia em título, num empate a zero no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta. O desfecho, que a imprensa espanhola classificou unanimemente como um “desastre” e um “petardazo”, teve um protagonista maior: o guarda-redes Vozinha, de 40 anos, que com sete defesas cruciais – incluindo uma sequência milagrosa que negou o golo a Ferran Torres e Mikel Oyarzabal – personificou a resistência heroica dos ‘Tubarões Azuis’. A exibição valeu-lhe uma explosão de popularidade instantânea, catapultando-o de 50 mil para mais de 1,5 milhões de seguidores nas redes sociais, num fenómeno amplificado por figuras mediáticas brasileiras como Casimiro.
A frustração espanhola ecoou de Madrid a Barcelona. Luis de la Fuente, o selecionador, justificou a falta de eficácia com a condição física debilitada de Lamine Yamal e Nico Williams, que começaram no banco e entraram na segunda parte sem conseguir desequilibrar. Contudo, analistas na capital espanhola apontaram o dedo a uma posse de bola estéril e a um ritmo de circulação demasiado lento, que se chocou contra uma defesa cabo-verdiana de uma disciplina tática notável: a equipa africana cometeu apenas uma falta em todo o encontro, um registo mínimo histórico em fases finais. Na perspetiva de Lisboa, o feito de Cabo Verde, nação irmã de língua portuguesa, foi recebido com um misto de orgulho lusófono e surpresa, sublinhando o sucesso do projeto de recrutamento de jogadores da diáspora na Europa.
O imprevisto em Atlanta contaminou o resto do Grupo H. Horas mais tarde, em Miami, o Uruguai de Marcelo Bielsa também cambaleou, consentindo um empate a uma bola frente a uma organizada Arábia Saudita. Os sauditas, que já haviam derrotado a Argentina no Catar, adiantaram-se no marcador aos 41 minutos por Abdulelah Al-Amri, capitalizando um erro de Fernando Muslera. A ‘Celeste’, apagada e sem fluidez ofensiva durante grande parte do encontro, só evitou a derrota aos 80 minutos, quando Maxi Araújo aproveitou uma recarga na pequena área. O golo salvador não disfarçou as críticas em Montevideu a um ciclo de renovação geracional que tarda em encontrar uma identidade consistente.
No Grupo G, o guião de surpresas repetiu-se em Seattle. O Egito, que jamais venceu um jogo em Mundiais, esteve muito perto de quebrar o enguiço frente à Bélgica. Um golo de belo efeito de Emam Ashour, aos 19 minutos, assistido por Mohamed Salah no dia do seu 34.º aniversário, colocou os ‘Faraós’ em vantagem. A Bélgica, irreconhecível na primeira parte, só se recompôs com a entrada fulminante de Romelu Lukaku: 22 segundos após pisar o relvado, o avançado do Napoli provocou o autogolo de Mohamed Hany que fixou o 1-1 final. Observadores em Bruxelas notam que a geração belga, em transição, parece ter perdido a veia criativa de outrora, dependendo cada vez mais de rasgos individuais.
Com três empates em quatro jogos do dia, a jornada expôs a crescente competitividade das seleções emergentes e a vulnerabilidade das potências históricas. Na perspetiva de Brasília, o desempenho dos sul-americanos acende um sinal de alerta: Brasil, Equador, Paraguai e agora Uruguai ainda não venceram no torneio, aumentando a pressão sobre a Argentina, que se estreia na terça-feira. O Grupo H, em particular, fica em aberto máximo, com as quatro equipas empatadas a um ponto, prometendo uma luta cerrada até à última jornada por um lugar nos dezasseis-avos de final.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A Espanha, campeã europeia, tropeçou feio na estreia do Mundial ao empatar sem gols com a estreante Cabo Verde. O resultado é tratado como um fiasco alarmante, com críticas ao ataque lento e sem criatividade da Roja. A façanha defensiva da pequena nação insular é reconhecida, mas o foco permanece no início desastroso da Espanha.
Cabo Verde anunciou-se no palco mundial com um empate histórico sem golos frente à Espanha, uma das favoritas. A imprensa africana celebra o resultado como um momento de orgulho continental, destacando a disciplina defensiva e o heroísmo do guarda-redes de 40 anos Vozinha. O empate é enquadrado como um marco para o futebol africano, provando que mesmo as nações mais pequenas podem frustrar os campeões europeus.
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