
Petróleo Brent volta a US$ 100 e recua, mas tensão no Oriente Médio mantém mercados sob pressão
Ataques a petroleiros no Mar Vermelho e a escalada militar entre EUA e Irã levaram o Brent a US$ 101 na quinta-feira; apesar da correção para perto de US$ 97 na sexta, a cotação acumulou alta de quase 10% na semana.
O preço do petróleo Brent superou os US$ 100 por barril na quinta-feira, 24 de julho, pela primeira vez desde maio, após rebeldes houthis do Iêmen atingirem dois navios-tanque sauditas no Mar Vermelho. O movimento elevou os temores de interrupção do fornecimento global, numa altura em que o Estreito de Ormuz já opera com tráfego reduzido devido aos confrontos entre Estados Unidos e Irã. Na sexta-feira, a cotação recuou cerca de 4%, para a faixa dos US$ 97, em um movimento de realização de lucros, mas o Brent e o WTI ainda fecharam a semana com valorização próxima de 10%, refletindo um prêmio de risco geopolítico que persiste.
A nova frente de instabilidade ampliou os focos de tensão sobre duas rotas marítimas críticas. O Estreito de Bab el-Mandeb, por onde transita parte significativa das exportações sauditas, foi palco dos ataques, enquanto a passagem por Ormuz – que escoa mais de 20% do petróleo mundial – permanece sob ameaça. Embora dados de rastreamento mostrem que alguns navios ainda cruzam os estreitos, a continuidade do fluxo é incerta. O presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu ataques militares de grande escala contra o Irã e os houthis caso as hostilidades não cessem, ao passo que Teerã rejeitou propostas de cessar-fogo e advertiu países europeus sobre o uso de suas bases.
Para os países lusófonos, os efeitos são assimétricos. O Brasil, grande exportador de petróleo, pode beneficiar-se com a melhora dos termos de troca e o aumento da receita com exportações, mas enfrenta o risco de que a alta dos combustíveis pressione a inflação e reduza o espaço para cortes adicionais na taxa de juro, num momento em que a atividade dá sinais de desaceleração. Em Portugal, importador líquido de energia, a subida do crude agrava a fatura energética e pode acelerar os preços nos transportes e na indústria, numa economia ainda vulnerável a choques externos. Para as economias africanas de língua portuguesa, dependentes de importações de derivados, o encarecimento do barril eleva os custos logísticos e fiscais, com possível impacto nos subsídios aos combustíveis.
Nos mercados financeiros globais, o movimento reacendeu o temor de uma inflação mais persistente. Os rendimentos dos títulos do Tesouro americano atingiram máximas de 18 meses, e a probabilidade de o Federal Reserve subir os juros na reunião da próxima semana saltou de 13% para 30%, segundo ferramentas de monitorização. O Banco Central Europeu também sinalizou que pode retomar o aperto monetário se o choque energético se agravar. Na Argentina, o risco-país disparou para 445 pontos, a maior alta semanal desde abril, enquanto as bolsas asiáticas e europeias oscilaram entre perdas e recuperação, pressionadas ainda pela incerteza sobre os elevados investimentos em inteligência artificial.
O próximo marco a observar é a decisão do Fed, em 30 de julho, que calibrará as expectativas para a política monetária global. Ao mesmo tempo, os mercados monitorizam a evolução do tráfego nos estreitos e eventuais novas iniciativas diplomáticas – como a mediação liderada pelo Paquistão com apoio chinês –, enquanto a libertação de reservas estratégicas por Washington vai-se tornando um instrumento cada vez mais limitado.
Amplie o olhar
Protestos na Índia escalam para crise política e levam Modi a prometer tribunais rápidos contra fugas de exames
11 idiomas · 28 veículos
De TechnologyMusk confessa envolvimento político excessivo, mas mantém defesa do DOGE
3 idiomas · 5 veículos
De Science & HealthTerapias de precisão avançam contra doenças raras na China, Reino Unido e Américas
4 idiomas · 6 veículos