
Área queimada no Brasil cai 31% em 2025, mas recorrência do fogo acende alerta
Amazônia registou a menor extensão queimada em 41 anos, impulsionando a redução nacional, porém 64% das áreas afetadas desde 1985 arderam mais de uma vez, com intervalos cada vez mais curtos.
O Brasil perdeu 12,7 milhões de hectares para o fogo em 2025, uma retração de 31% face à média histórica de 18,4 milhões de hectares anuais e quase metade da área calcinada no ano anterior. O recuo foi ancorado pela Amazónia, que um ano depois de ter batido o recorde da série com 15,8 milhões de hectares queimados contabilizou apenas 3,1 milhões de hectares — a menor marca desde o início dos registos do MapBiomas, em 1985. No conjunto do país, a superfície afetada foi a mais baixa desde 2018, interrompendo uma sequência de expansão das queimadas.
A queda reflete uma conjugação de fatores climáticos e de políticas públicas. A transição do El Niño para condições de La Niña arrefeceu as temperaturas e atrasou a estação seca, encurtando a janela ideal para as queimadas de origem humana usadas na limpeza de pastagens. A coordenadora do MapBiomas Fogo, Ane Alencar, classificou a redução como “fora do comum” e apontou que o atraso do período chuvoso entre 2024 e 2025 impediu a formação do momento propício ao fogo em várias regiões. A par disso, a diminuição significativa da desflorestação limitou as fontes de ignição. Na perspetiva de Brasília, os números representam um trunfo para o Presidente Lula da Silva a poucos meses das eleições de outubro, depois de ter feito da proteção da Amazónia uma bandeira de campanha.
Apesar da melhoria conjuntural, o relatório introduz indicadores inéditos que revelam uma vulnerabilidade estrutural. Desde 1985, 64% de toda a área queimada no Brasil foi atingida pelo fogo mais de uma vez, e em 52% desses casos o fogo regressou num intervalo de até quatro anos. A Amazónia apresenta os ciclos mais curtos: 31,6% das suas áreas queimadas voltaram a arder em menos de dois anos, reduzindo o tempo de recuperação da floresta e aumentando o risco de incêndios mais intensos. No Cerrado, bioma adaptado ao fogo mas que concentrou 8,7 milhões de hectares queimados em 2025, 66% da área afetada desde 1985 sofreu episódios repetidos, o que, segundo a investigadora Vera Laísa Arruda, pode ultrapassar a capacidade de regeneração e acelerar a perda de biodiversidade. A severidade potencial das queimadas também preocupa: na Mata Atlântica, no Pampa e no Pantanal, metade ou mais da área queimada registou níveis altos ou muito altos de impacto sobre a vegetação.
Enquanto o Brasil respira, a Europa enfrenta em 2026 a pior época de fogos em duas décadas. Dados do sistema Effis mostram que mais de 42 mil hectares arderam em França até meados de julho, superando o recorde de 2022, num cenário agravado por uma seca severa e ondas de calor. O contraste sublinha a dependência de condições meteorológicas favoráveis e a necessidade de políticas permanentes de prevenção. O próximo marco a observar é a possível instalação de um “super El Niño” ainda este ano, fenómeno que, segundo os investigadores do MapBiomas, pode prolongar a estação seca e reacender a pressão sobre a floresta.
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O Brasil registra uma queda histórica nos incêndios, um sucesso para a política ambiental de Lula.
O uso de dados estatísticos de longo prazo e a comparação com o recorde de 2024 criam uma narrativa de progresso e controle.
A explicação meteorológica (atraso das chuvas) que reduz o mérito político não é mencionada.
A Suécia observa com cautela a queda dos incêndios na Amazônia, enfatizando o papel das condições meteorológicas.
A inserção de uma explicação meteorológica reduz a atribuição de mérito político e mantém um tom de ceticismo científico.
O contexto político positivo para Lula e o significado eleitoral da queda não são discutidos.
O Atlântico celebra a queda dos incêndios na Amazônia como um triunfo para a política de Lula.
A ligação direta entre os dados positivos e o compromisso presidencial cria uma narrativa de sucesso político e responsabilidade.
Os dados sobre a recorrência de incêndios (64% das áreas já queimadas) e o papel das condições meteorológicas não são relatados.
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