
Ancara tenta reavivar negociações entre Rússia e Ucrânia em visita a Moscovo
Ministro turco Hakan Fidan reúne-se com Putin e Lavrov para oferecer mediação e discutir segurança no mar Negro, antes da cimeira da NATO.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia, Hakan Fidan, inicia esta semana uma visita de dois dias a Moscovo com uma agenda que coloca Ancara, mais uma vez, no centro dos esforços diplomáticos para mitigar a guerra na Ucrânia. Segundo fontes diplomáticas turcas e russas, Fidan será recebido pelo homólogo Serguei Lavrov e, num gesto de alto significado político, pelo presidente Vladimir Putin. O encontro com o secretário do Conselho de Segurança russo, Serguei Choigu, também está confirmado, sinalizando que as conversações vão além da dimensão estritamente bilateral e se estendem à arquitetura de segurança regional.
A visita ocorre num momento de intensa atividade diplomática: Ancara prepara-se para acolher, em julho, a cimeira da NATO e, simultaneamente, procura consolidar o seu papel de mediador único entre Moscovo e Kiev. Desde a invasão russa de 2022, a Turquia tem mantido canais abertos com ambas as partes, uma posição que lhe permitiu, por exemplo, viabilizar o acordo para a exportação de cereais pelo mar Negro. Agora, Fidan reiterará a oferta de Ancara para acolher conversações de paz ao nível de líderes, um pedido que Kiev já formalizara em abril. A iniciativa turca surge num contexto de impasse militar e de crescente ansiedade internacional quanto à segurança da navegação no mar Negro, onde Ancara alerta para o risco de uma escalada que ameace a estabilidade global.
Na perspetiva de Brasília, a movimentação turca ecoa a tradicional defesa brasileira de soluções negociadas para conflitos armados, embora o Itamaraty observe com cautela a proximidade de Ancara com Moscovo, que contrasta com o alinhamento atlantista da Turquia. Observadores em Lisboa notam que a iniciativa de Fidan testa os limites da coesão dentro da NATO, já que a Turquia é um membro estratégico da Aliança, mas mantém uma relação privilegiada com o Kremlin, incluindo a aquisição de sistemas de defesa russos. Para os países africanos de língua portuguesa, particularmente aqueles com litoral no Atlântico e no Índico, a estabilidade das rotas marítimas e o fim do conflito têm impacto direto na segurança alimentar e nos preços de matérias-primas, o que torna qualquer esforço de mediação digno de atenção.
A agenda inclui ainda a situação no Cáucaso Meridional, onde os interesses de Ancara e Moscovo se cruzam de forma complexa, e o reforço da parceria estratégica bilateral. Apesar das divergências em teatros como a Síria e a Líbia, a Turquia continua a ser um dos poucos atores capazes de dialogar simultaneamente com Washington, Bruxelas e o Kremlin. O sucesso desta ronda de contactos poderá depender da margem de manobra que Putin está disposto a conceder, num momento em que a contraofensiva ucraniana parece ter perdido ímpeto e as atenções internacionais se dispersam por outras crises. A confirmar-se a receção no Kremlin, Fidan levará para a mesa negocial uma proposta que, mesmo que não produza resultados imediatos, reforça a imagem de Ancara como ponte indispensável entre a Europa e a Eurásia.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O principal diplomata turco chega a Moscou na esperança de ser recebido pelo presidente Putin, um sinal de que Ancara reconhece o papel indispensável da Rússia na segurança regional. As conversações reafirmarão a parceria estratégica e avaliarão a disposição turca para sediar novas negociações entre Rússia e Ucrânia, com a estabilidade do Mar Negro como preocupação comum.
O ministro das Relações Exteriores turco visita Moscou para reiterar a oferta de Ancara de mediar entre Rússia e Ucrânia, valendo-se de seus laços equilibrados com ambos os lados. As discussões também cobrirão a segurança da navegação no Mar Negro e a estabilidade no Cáucaso do Sul, refletindo o ativismo diplomático regional da Turquia.
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