
Amnistia Internacional pede investigação de ataques israelitas no Líbano por crimes de guerra
Amnistia conclui que três ataques israelitas no Líbano mataram 24 civis, incluindo 12 crianças, e pede embargo de armas; Israel alega que visava o Hezbollah.
A Amnistia Internacional divulgou um relatório esta quinta-feira em que pede a abertura de investigações por crimes de guerra sobre três ataques aéreos israelitas no sul do Líbano, ocorridos entre 6 e 13 de março. Segundo a organização, com sede em Londres, os bombardeamentos atingiram habitações civis nos distritos de Tiro, Nabatiyeh e Saida, provocando a morte de 24 civis, 12 dos quais crianças, e “dizimaram famílias inteiras”. A Amnistia baseou as suas conclusões em entrevistas com 15 pessoas, incluindo sobreviventes, paramédicos e jornalistas, bem como na análise de imagens de satélite e publicações em redes sociais. A organização considera que há “motivos razoáveis” para concluir que as forças israelitas violaram o direito internacional humanitário, ao não distinguirem entre civis e objetivos militares ou ao não tomarem as precauções necessárias para minimizar os danos.
As autoridades israelitas, questionadas pela Amnistia sobre nove ataques no Líbano, incluindo os três em causa, afirmaram que algumas operações visaram “objetivos militares do Hezbollah” e que outros casos foram encaminhados para análise. Contudo, segundo a Amnistia, Israel não forneceu informações detalhadas sobre os alvos específicos destes três bombardeamentos. O conflito no Líbano escalou a 2 de março, quando o Hezbollah lançou rockets contra Israel em apoio ao Irão, desencadeando uma ofensiva israelita de grande escala que, de acordo com o Ministério da Saúde libanês, matou mais de 4.300 pessoas. Apesar de um cessar-fogo mediado pelos EUA, em vigor desde 21 de junho, e de um acordo-quadro assinado a 26 de junho entre Líbano e Israel, as tropas israelitas permanecem numa faixa até dez quilómetros da fronteira e continuam a realizar ataques pontuais. A agência Antara noticiou que, só nos primeiros dez dias de trégua, 65 pessoas morreram e foram registadas entre 180 e 230 violações israelitas.
Paralelamente, na Faixa de Gaza, a violência persiste apesar do cessar-fogo em vigor desde outubro de 2025. Na quarta-feira, pelo menos oito palestinianos foram mortos em vários incidentes, incluindo um ataque aéreo perto de uma escola na Cidade de Gaza e disparos contra um campo de deslocados em Al-Mawasi. O Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, contabiliza 1.084 mortos desde o início da trégua, elevando o total de vítimas desde outubro de 2023 para mais de 73.110. Entre as vítimas recentes está Mohamed al-Wahidi, responsável de relações públicas do Comité Egípcio em Gaza, que organizava exibições públicas do Mundial de Futebol. O exército israelita afirmou que o ataque visava um militante do Hamas e que al-Wahidi não era o alvo, mas o hospital Shifa indicou que o motorista da viatura atingida era um taxista sem ligações a fações armadas.
Na perspetiva de observadores em Lisboa e Brasília, os apelos da Amnistia Internacional refletem uma preocupação crescente com a repetição de incidentes que minam a credibilidade dos cessar-fogos em ambos os teatros de conflito. A organização exortou todos os Estados a imporem “um embargo abrangente e imediato de armas a Israel” e a recorrerem à jurisdição universal para investigar e processar os responsáveis. O acordo-quadro entre Líbano e Israel, patrocinado por Washington, e o memorando de entendimento entre Irão e EUA que o precedeu, não travaram as hostilidades de baixa intensidade. A Amnistia sublinha que a ausência de informações detalhadas por parte de Israel dificulta a avaliação independente da legalidade das operações. O dossiê permanece em aberto, com a comunidade internacional dividida quanto a medidas concretas, enquanto as organizações de direitos humanos pressionam por sanções e investigações que possam ser levadas a tribunais nacionais ou internacionais.
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.70 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa do Sudeste Asiático | −0.30 | critical |
As autoridades israelenses devem responder por suas ações; os civis libaneses são vítimas de ataques ilegais.
Ao apresentar os fatos através da linguagem do direito internacional e citar o número de mortes civis, cria-se um quadro de ilegalidade que exige intervenção judicial.
O bloco omite o fato de que o Hezbollah lançou foguetes contra Israel em 2 de março, o que desencadeou a resposta israelense, apresentando assim os ataques como não provocados.
O Hezbollah desencadeou o conflito, mas as vítimas civis ainda são trágicas; é necessário um equilíbrio entre segurança e direitos humanos.
Ao enquadrar a ação do Hezbollah como gatilho, relativiza a responsabilidade israelense e normaliza a resposta militar como reação.
O bloco omite os detalhes específicos dos três ataques analisados pela Anistia, como a destruição de famílias inteiras e a falta de cooperação israelense, o que fortaleceria o caso de crimes de guerra.
Amplie o olhar
EUA anunciam restrições de vistos e reúnem 66 países contra 'terrorismo de extrema-esquerda'
1 idioma · 7 veículos
De Economy & MarketsEUA impõem tarifa de 25% a produtos brasileiros; Brasil aciona lei de reciprocidade
2 idiomas · 14 veículos
De TechnologyÍndia lança primeiro foguete orbital privado e junta-se a EUA e China
8 idiomas · 23 veículos