
Acordo histórico entre EUA e Irão encerra guerra e reabre Ormuz
JD Vance e Mohammad Bagher Ghalibaf assinam memorando em Genebra na sexta-feira; Europa condiciona apoio a garantias nucleares e reabertura de Ormuz alivia pressão sobre preços de energia.
Os Estados Unidos e o Irão anunciaram no domingo um acordo para pôr fim à guerra, levantar o bloqueio naval americano e reabrir o estreito de Ormuz, passo que promete aliviar a crise energética global. A cerimónia formal de assinatura está marcada para sexta-feira, 19 de junho, em Genebra, com a presença do vice-presidente americano JD Vance e do presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, chefe da equipa negociadora nuclear. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, cujo país mediou as conversações, agradeceu também ao Qatar, à Arábia Saudita e à Turquia pelo apoio, e adiantou que esta semana haverá reuniões preparatórias para os detalhes técnicos.
O conflito eclodiu em março, quando ataques conjuntos dos EUA e de Israel mataram o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, e altos comandantes, mergulhando a região numa guerra intermitente e num bloqueio que estrangulou o trânsito de petróleo. O presidente Donald Trump celebrou o entendimento como um feito histórico, afirmando que muitos antecessores tentaram e fracassaram. O anúncio fez os preços do petróleo recuarem de imediato, um sinal do impacto que a reabertura de Ormuz terá sobre os mercados.
A comunidade internacional reagiu com alívio cauteloso. O secretário-geral da ONU, António Guterres, saudou o acordo como um passo crucial para uma solução pacífica. Reino Unido, França, Alemanha e Itália divulgaram uma declaração conjunta em que insistem que o Irão nunca deverá obter uma arma nuclear e se dizem prontos a trabalhar com Washington, Teerão e a Agência Internacional de Energia Atómica. A Austrália também manifestou apoio. Vance afirmou que há setores em Israel que aceitam o pacto, embora o programa nuclear continue a ser o ponto mais sensível, remetido para negociações futuras.
O vice-presidente americano detalhou que o memorando prevê um mecanismo de verificação em duas etapas e um compromisso de longo prazo para impedir que o Irão produza ou adquira armas nucleares, além de manter Ormuz aberto e livre de taxas. Na perspetiva de Brasília, a normalização do estreito interessa diretamente ao Brasil, grande exportador de petróleo, mas também consumidor de fretes marítimos estáveis. Observadores em Lisboa e em países africanos de língua portuguesa, como Angola e Moçambique, notam que a redução dos custos energéticos pode aliviar pressões inflacionárias, ainda que a incerteza sobre o dossiê nuclear iraniano mantenha os mercados em alerta. As rondas técnicas que se seguem definirão se a paz será duradoura ou apenas uma trégua frágil.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A imprensa continental europeia relata a receção cautelosa dos países árabes do Golfo, sublinhando o apreço saudita pela mediação do Paquistão e do Catar e a esperança de um acordo permanente. O evento é enquadrado como um avanço diplomático com apoio regional.
A imprensa iraniana retrata o acordo como uma vitória, enfatizando as concessões de última hora arrancadas dos EUA, como garantias para a soberania libanesa e a gestão conjunta do Estreito de Ormuz. Apresenta o acordo como uma conquista diplomática histórica que remodela as dinâmicas de segurança do Médio Oriente.
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